Os pensamentos de Hugo Chávez e Fidel Castro têm uma legião de seguidores. O mais recente exemplo é a máxima de que, agora, vamos produzir mais energia e menos comida. Que a expansão da cana-de-açúcar, no Brasil, alimenta os motores movidos a álcool mas tira o pão de milhões, porque onde entra a cana sai o trigo.
Chávez e Castro pensam assim porque não acreditam que o mercado é o grande regulador de produção e consumo; de ofertas e demandas e que essas variáveis têm equilíbrio próprio. Na cultura do estadismo uma folha de cana não se move sem que haja o sopro do governo.
O professor Adriano Pires, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, especialista em infra-estrutura, em entrevista à Agência Estado, derruba uma série de mitos sobre fontes alternativas de energia.
Sobre a ocupação da terra para produzir matérias-primas energéticas em lugar de grãos, o professor conceitua: ‘‘O mercado, por si só, vai regular esse avanço’’. Por isso, por botar fé no poder do mercado, alerta para a intenção do governo de controlar a produção, a exportação ou mesmo a criação dos alcooldutos. E o etanol é uma commodity agrícola, não podemos confundi-lo com o petróleo.
De fato, essa discussão de que o cultivo de fontes energéticas vai roubar espaço dos alimentos é antiga. Vem desde o lançamento do Pró-Álcool em 1975, quando ainda se misturava álcool anidro à gasolina, e se acentuou a partir de 1979, quando passamos a ter veículos que usavam exclusivamente o álcool hidratado. Dizia-se que o álcool tomaria espaço de plantações de arroz, feijão, etc. Nada disso aconteceu no Brasil.
Com esse boom do biocombustível no mundo, em particular do etanol, a discussão volta em escala planetária, mas o professor acha que é uma discussão equivocada.
O etanol não vai substituir o petróleo, a grande energia do século 20. O petróleo é usado em carros, aviões, na geração de energia elétrica das indústrias, enquanto o etanol está no mercado para substituir parcela da gasolina - que, aliás, tende a diminuir sua participação na matriz mundial de combustíveis. No Brasil, por exemplo, houve uma retração de seu consumo. A partir de 2000 ela perdeu espaço não só para o álcool, mas também para o diesel e o gás. Em nível mundial, prevê-se que perderá ainda mais.
Sobre o etanol, muitos países começam a entender que ele propicia mais segurança energética e melhora o ar inspirado nos centros urbanos. Vai crescer mundialmente.
Brasil e EUA produzem 70% do etanol, metade cada um, com a diferença de que nosso custo de produção a partir da cana é três vezes menor que a produção proveniente do milho americano.

mockup