Mistificação endêmica
Costumam os dirigentes brasileiros nacionais, regionais e municipais se apropriarem de dados macroeconômicos como se os feitos não fossem de toda sociedade brasileira mas da estrutura pública, sabidamente em todos níveis esclerosada e ineficiente. Ainda agora tivemos em estudo do IBGE o quanto tem sido falsa essa manipulação, aliás que parece coisa da ditadura e não de um sistema democrático que encontra na informação um dos seus sustentáculos.
A última série histórica, de 2002 A 2008, sobre a participação dos estados na formação do PIB faz um strip-tease na farta exploração feita ao longo do tempo pelo governo estadual de supostos feitos da economia paranaense, como se fossem obra dele, nas encenações da escolinha. O Paraná, de 2002 a 2008, o que se insere nesse período, ficou com o sexto pior desempenho, em termos de crescimento em volume acumulado, com 24,6% abaixo da média nacional de 27,9%.
Embora tivéssemos mantido o quinto posto na distribuição da renda interna, com 5,9%, até 2008, houve uma queda significativa já que havíamos atingido 6,1% no ano anterior. O registro de uma baixa de menos 0,5% no PIB em 2009 é um indicador de que teremos novos declínios em exercícios seguintes, ainda mais se a inércia do governo for acompanhada pelos fatores negativos que nos prejudicaram como estiagens e o câmbio baixo.
Essa constatação que derruba a propaganda irresponsável, e que fere de morte o sentido da democracia, é algo que atinge todo o país, mas que o ufanismo do momento, diante do ciclo positivo em que vivemos, mascara e entorpece.
O governo anterior havia abolido a edição impressa do Diário Oficial e agora há queixa de que alguns números, dos dias 12 e 13 deste mês, até agora não dados à divulgação, trariam registros de centenas de nomeações e de licitações e que estariam preocupando os futuros governantes. O legislativo tinha os seus diários secretos e o estado os diários enrustidos.





