Missão para solucionar crise da aftosa
O que as autoridades brasileiras não estão conseguindo resolver poderá, ao que parece, ser solucionado por via da missão européia que no momento está percorrendo o Paraná para saber da febre aftosa. Porque tudo indica que depois da observação desses enviados que será, obviamente, apenas superficial e mais política do que técnica alguma coisa será definida. Eles vão visitar as fazendas sob suspeita em São Sebastião da Amoreira, Bela Vista do Paraíso, Amaporã, Grandes Rios, Loanda e Maringá, mas em apenas três dias não farão muito mais que um passeio turístico, não havendo possibilidade de detectar muita coisa sob o aspecto técnico-sanitário, quando se sabe que as autoridades nacionais não o conseguiram em quatro meses. Será uma inspeção política, assim como é política a suposta existência da doença em rebanhos paranaenses. No programa figuram também visitas às barreiras sanitárias, a postos de controle e a casas agropecuárias, e mais a tomada de conhecimentos acerca dos cuidados com a aftosa e da metodologia da campanha de vacinação, e mais outros serviços preventivos da Secretaria de Agricultura contra a brucelose, a tuberculose, o mal da vaca-louca, da raiva, a infecção das aves e a emissão das guias de trânsito animal. Enfim, uma maratona olímpica que terá, ao que tudo indica, mais efeito plástico do que técnico. Mas o suficiente para esses emissários retornarem aos seus países e relatarem que não encontraram nada de anormal e assim levantam o embargo à importação de carne paranaense. Se eles recomendarem o sacríficio do gado suspeito, certamente isso ocorrerá, e aí tudo ficará a contento. Estes são os indicativos, porque até agora não houve entendimento entre as autoridades da área. Será preciso, talvez, esta decisão de fora. Por mais que o ministro Roberto Rodrigues desejasse encontrar a doença nos rebanhos do Paraná, não foi possível provar a ocorrência do surto em terras paranaenses, uma vez que o susposto foco foi anunciado apenas com base em exames sorológicos, que segundo os técnicos não são conclusivos. Parece então que, doravante, a crise da aftosa será apenas uma questão diplomática, que terá uma definição após o veredicto dos visitantes europeus. Porque a presença deles por tão poucos dias não possibilitará aprofundamento em nada, a não ser ouvir os técnicos da Secretaria e do Ministério da Agricultura e Pecuária e ler o que está escrito nos laudos dos exames já realizados. Mas a incursão desses especialistas pelo interior paranaense servirá de balizamento aos importadores, uma espécie de comprovação in loco, e assim, espera-se, tudo voltará ao normal. Porque, se depois do relatório que esses técnicos irão fazer, ou o Paraná fica declarado zona livre de aftosa ou se terá de decretar a falência do sistema oficial de fiscalização e de controle da sanidade animal e da detecção de doenças. A pecuária, esta com toda a certeza, ao final sobreviverá, apesar dos tantos entraves governamentais como os que presentemente ocorrem.





