Missão de super-herói
Pequena empresa tem vida curta no Brasil, noticia a Folha Economia na edição de hoje. Um estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística acaba de comprovar o que já era evidente. O IBGE resolveu mapear as novas empresas brasileiras e encontrou o resultado previsível. De cada 10 empresas abertas no País em 2000, 6,45 fecharam no mesmo ano.
As pequenas duram pouco, concluiu o levantamento. Em 2000, foram abertas 710 mil empresas no Brasil, 659 mil de pequeno porte. Destas, 426 mil não prosperaram. Conclusão: o micro e pequeno negócio nascem praticamente com um carimbo de morte.
O empreendedor de pequeno porte inicia o seu negócio praticamente sem respaldo do Estado para seguir adiante. Quase sempre, deposita ali as esperanças de independência financeira após uma longa trajetória profissional como empregado.
Um dos problemas é que raramente obtém financiamento. Empréstimo oficial é expressão presente só no dicionário dos grandes. Sob o olhar complacente das autoridades, os bancos particulares também apertam cada vez mais o torniquete do crédito para quem se habilita a empreendedor. Na maioria das vezes, o pequeno empresário conta só com recursos próprios. Entra na aventura com a cara e a coragem.
É missão para super-herói. Nestes tempos de mercado retraído, juros no teto, câmbio incerto, crédito escasso, consumidor acuado e, principalmente, carga fiscal insustentável, é preciso bem mais que cara e coragem para sobreviver em qualquer atividade. O resultado, como o IBGE conclui agora, é este aí: as empresas simplesmente não vingam.
No final, o empresário acaba convertido em desempregado. Se o enredo fosse outro, poderia, ao contrário, expandir o empreendimento, contratar trabalhadores, gerar renda e até reforçar a arrecadação pública.
Agora só falta o IBGE relatar suas conclusões ao BNDES o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, a quem caberia, afinal, dar fôlego à empresa brasileira e evitar a asfixia da produção.
Ruth Meira





