Missão da FAB atende comunidades da Amazônia
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domingo, 11 de abril de 2004
Nelson Motta<br>Agência Brasil 
Rio Branco Foram doze horas de vôo durante sete dias. Profissionais de saúde da Força Aérea Brasileira (FAB) atenderam mais de mil pessoas, com assistência médica e remédios no interior do Acre. O avião C-98 Caravan do Correio Aéreo Nacional (CAN), saiu no início da tarde do dia 5 de abril para percorrer os municípios de Manuel Urbano, Feijó, Tarauacá, Marechal Thaumaturgo e Cruzeiro do Sul levando ajuda para as populações isoladas dessas regiões.
Para chegar às cidades beneficiadas com a nova linha, foi necessário, além do avião, barcos, fazer longas caminhadas e também atravessar pontes com pouca segurança, como aconteceu no município de Marechal Thaumaturgo, a 13 km da fronteira do Brasil com o Peru e a 850 km de Rio Branco.
A equipe de saúde, comandada pelo major médico Marcus Vinícius, teve até ajuda dos moradores de Thaumaturgo para tirar o avião de um atoleiro que se formou numa pista improvisada. A pista já foi usada por traficantes de cocaína, segundo os moradores. Thaumaturgo, com uma população de quase três mil habitantes, a maioria da zona rural, tem na tribo Ashinika a marca forte da presença indígena brasileira na região, que vivem nas margens do rio Amônea, afluente do rio Juruá. Em Marechal Thaumaturgo foram apenas quatro horas, período em que foram atendidas 140 pessoas.
A reativação do CAN, com a criação de uma nova linha que começa no Acre, criou uma expectativa muito grande na população que vive isolada por causa das distâncias. São poucas as pessoas que não olham para um avião quando ele aparece no céu da região Amazônica. Em Tarauacá, município localizado a mais de 300 quilômetros de Rio Branco e com quase 30 mil habitantes, muitos levantam a cabeça quando o barulho aeronave chama atenção.
A chegada do C-98 Caravan atrai muita gente ao aeroporto. Esta é a terceira parada dos profissionais da Saúde da FAB, na rota da solidariedade, depois de já terem passado pelos municípios de Manoel Urbano e Feijó, onde foram atendidas cerca de 284 pessoas.
A índia Maspã, de 34 anos, da tribo dos Kaxinawá, vai pela primeira vez ser examinada por um ginecologista. Já teve seis filhos, perdeu dois por causa de aborto e está grávida do sétimo. A dificuldade de enfrentar pela primeira vez uma consulta mexeu com a ansiedade da índia, que quis saber se quem ia atender era homem ou mulher. Depois de meia hora esperando, a índia Kaxinawá, entrou e logo, se acalmou, disse a tenente Ana Paula. A consulta foi rápida. Maspã saiu elogiando a médica, dizendo que teria que tomar sulfato de ferro e hidróxido de alumínio e que iria cumprir o que a médica passou até o final da gravidez.
O que mais impressionou a ginecologista tenente Ana Paula foi que, grande parte das mulheres da região nunca havia feito consulta. ''Elas prestam bastante atenção nas orientações que a gente dá, e isso é importante, tanto para nós, quanto para elas. Outro fato, é que a média na comunidade é de seis a sete filhos por casal. Tem mulher engravidando com 38 anos e há, também, meninas com 17 ano com dois filhos'', afirmou Ana Paula.
Em Tarauacá, segundo a coordenação da viagem do CAN, o total de pessoas atendidas foi de 217 pessoas.


