Miséria em londrina
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 19 de junho de 2003
Flávio H. Caetano de Paula 
Lendo a intrigante reportagem da Folha de ontem e por toda a mobilização que a cidade realiza ao longo de sua história, como a exigência de cassação de prefeito e as constantes manifestações para acabar com a violência, combinada com o sentimento nacional de que não há mais espaço para a fome neste país, reforçado pela luta de um líder o presidente da República comecei a imaginar algumas situações.
Londrina tem cerca de 28 mil pessoas abaixo da linha da pobreza, que vivem com assistência do Poder Público (mas que não tem condições de suprir todas as necessidades de nossa população). Se utilizarmos a capacidade de mobilização de nossa cidade voltada a necessidades flagrantes de nossa população, poderemos ser a primeira cidade do Brasil a alcançar a meta que o governo federal quer implantar em toda a nação acabar com a fome. Como?
Se, simplesmente, cada aluno da Universidade Estadual de Londrina (mais de 13 mil), por exemplo, doar 1 quilo de alimento por mês apenas 1 Kg de alimento/mês teremos treze toneladas de comida mensais a serem distribuídas. Se somarmos a isso a sociedade civil organizada, a comunidade universitária das demais instituições de Ensino Superior de Londrina, estudantes secundaristas, não será nenhum pouco difícil erradicarmos a fome nessa querida cidade.
Ah, mas e a distribuição? Ora, podemos utilizar a estrutura de organizações que já sabem como fazê-lo. É o caso da Provopar, de movimentos religiosos, das pastorais, em especial a Pastoral da Criança, etc. Podemos, ainda chamar o Poder Público que, com certeza ajudará, estabelecendo, por exemplo, postos de arrecadação e distribuição. As idéias são muitas e não só minhas. Acredito que quem está lendo já está imaginando situações de melhorar e contribuir com esta idéia inicial.
Doações poderão ser endereçadas, ainda, a instituições que têm por escopo o auxílio a comunidades carentes e vivem correndo atrás de doações para garantir a alimentação mensal. É o caso de asilos, creches, da Apae, do Instituto do Cego e demais entidades, que com a alimentação mensal garantida poderão voltar mais esforços para sua atividade principal, inserindo, cada vez mais, as pessoas assistidas na comunidade, afastando preconceitos e vencendo obstáculos.
Ah, caros leitores, tantas lutas podemos travar! Que nos voltemos para a mais emergencial em um primeiro momento, depois, ou simultaneamente, aproveitemos a mobilização para transformar Londrina na primeira cidade sem analfabetos. Londrina dando exemplos e transformando a qualidade de vida das pessoas, com um grande trabalho de inclusão social. Não precisa ser apenas mais um sonho. Só depende de nós.
FLÁVIO HENRIQUE CAETANO DE PAULA é estudante de Direito na Universidade Estadual de Londrina


