Ministros: vale a pena tê-los?
Com Munhoz da Rocha e, posteriormente Ney Braga, o Paraná voltou a ter espaço no ministério nacional rompendo um hiato histórico. Com o primeiro tivemos um momento de expressão incomum quando da reforma cambial em que o paranaense, então na pasta da Agricultura, confrontou com o paulista José Maria Withaker, colocando em relevo os interesses regionais na questão no governo Café Filho. Normalmente, porém, a impressão que a passagem de ministros da terra sugere é a de que se tornam sempre mais nacionais do que regionalistas e evitam fazer o que figuras de outras unidades fazem em sua passagem. Dá para tirar da listagem Affonso Camargo Neto por ter deslocado recursos imensos da pasta dos Transportes ao Paraná, como se viu especialmente em Ponta Grossa por sua condição de eixo rodoferroviário de primeira grandeza.
Tivemos, por exemplo, três ministros de Educação (Flavio Suplicy de Lacerda, Ney Braga e Euro Brandão), três da Saúde (Aramis Athayde, Borges da Silveira e Alceni Guerra), sendo que o Hospital de Clínicas da capital é o único do País que não tem salários dos seus servidores pagos por via federal. Outra pertinência é o fato de não termos uma só das universidades estaduais federalizada, o que ressalta como evidência de fragilidade política. Só isso, se atendido, tiraria o Paraná dos bloqueios da Secretaria do Tesouro Nacional por representar 10% da massa de dispêndios com funcionalismo. Quando o gaúcho Tarso Dutra foi para o Ministério da Educação cuidou de federalizar todas as unidades existentes naquele Estado.
Novamente como em outros ciclos temos três ministros da terra e pelo jeito reproduzirão o estilo comportamental dos antecessores: o de agir sempre em nome de interesses nacionais e revelando até constrangimento em se mostrarem apegados ao Estado no atendimento de suas demandas. O zelo em não parecer suburbanos é olhado pela sociologia de bolso como expressão de timidez, o que é melhor do que outro arquétipo, tão proclamado, o da autofagia.





