Brasília - O ministro da Justiça, Paulo de Tarso Ribeiro, determinou ontem, à noite, ao Departamento de Estrangeiros que convoque imediatamente o ex-general golpista Lino Oviedo para explicar possível envolvimento dele na incitação de manifestantes na fronteira entre o Brasil e Paraguai. Caso se confirmem as suspeitas, o governo brasileiro poderá extraditar o ex-general.
O governo paraguaio acusou hoje Oviedo de ter participação no bloqueio da Ponte da Amizade. O ex-general, que tem endereço fixo em Brasília, não pode de forma alguma exercer atividade política, porque pediu ao Brasil visto de pesquisador. Dependendo da conversa com o governo brasileiro, Oviedo poderá perder o visto brasileiro.
Em referência aos problemas no Paraguai, o presidente Fernando Henrique Cardoso reiterou que ''o Brasil se mantém inabalável em sua posição de defesa da legalidade democrática e da normalidade constitucional''. A informação é do porta-voz da Presidência da República, Alexandre Parola.
Pedido de prisão - O presidente do Senado paraguaio, Juan Carlos Galaverna, disse que o governo brasileiro deve deter o ex-general Lino Oviedo. As declarações ocorrem em meio a uma conturbada crise política e econômica, que provocou uma série de manifestações e levou o presidente paraguaio Luis González Macchi, a decretar estado de exceção (semelhante ao estado de sítio) no país.
''Do território brasileiro, Oviedo atenta contra a vida. O presidente Luis González Macchi deve dizer isso a Fernando Henrique Cardoso'', afirmou o senador em declarações à rádio paraguaia 9.70.
Há alguns meses, o Congresso brasileiro pronunciou-se contra Galaverna por ''ofensas'' a um embaixador brasileiro ao qual o parlamentar também acusou de proteger o político refugiado no Brasil.

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