Ministra contra igrejinha de Palocci
O presidente Lula não consegue manter a harmonia entre seus ministros, sinal claro de que não exerce controle sobre todos eles. Como o poder está centralizado no Ministério da Fazenda, de Antonio Palocci (sempre ele), o foco das brigas e intrigas é, obviamente, esse núcleo fechado de decisões. Agora é a ministra Dilma Rousseff sucessora de José Dirceu na Casa Civil quem se pronuncia publicamente contra a política econômica do companheiro Palocci. O presidente Lula chegou a fazer uma reprimenda aos dois, na verdade um faz-de-conta, porque a admoestação era mais contra a nada subserviente ex-guerrilheira. Ele só pensa em superávit primário, não tem criatividade e abertura e só fica fechado na igrejinha que compõe o seu corpo técnico foi o que Dilma disse do colega, e ainda mais: que os juros altos a teimosa política de Palocci minimizou o efeito do programa de corte de gastos, pois não há diminuição significativa da dívida pública. Ela classificou isto de política enxuga gelo. Também qualificou de rudimentar a proposta de ajuste fiscal de longo prazo capitaneada pelo ministro Paulo Bernardo, do Planejamento, que tem o apoio do ministro da Fazenda. Ao invés de avaliar o conteúdo das observações da ministra, Palocci preferiu prostrar-se de vítima, e disse que Dilma quer desautorizá-lo. Assim, partam elas das oposições ou mesmo dos próprios pares, todas as críticas ao poderoso ministro são, no entender dele, correntes para desestabilizá-lo. Não atenta, assim, para o conteúdo das advertências que lhes são feitas e que partem, igualmente, de todos os segmentos da cadeia produtiva nacional. Certamente ele teria se imaginado vítima de perseguição em todas as ocasiões em que o vice-presidente José Alencar fez-lhe idênticas críticas. Ou quando o ministro Roberto Rodrigues reclamava o descontingenciamento das verbas para a preservação da sanidade animal contra a febre aftosa. Ou, quem sabe, também em todo o tempo (desde a posse de Lula) em que a classe empresarial bombardeou a sua política suicida dos juros assassinos, que inviabilizam o desenvolvimento. Aloízio Mercadante, líder do Governo no Senado, sai em socorro de Palocci contra a investida de Dilma e diz que o Governo precisa tomar cuidado com o debate econômico nesta hora de crise. Esta a postura: a de evitar debate econômico porque há crise, mas a crise ocorre justamente por ausência desse debate na esfera governamental. (Acrescente-se que Palocci também está envolvido em suspeita de corrupção quando dos tempos de prefeito de Ribeirão Preto). Valendo-se de um oportuno jogo de palavras de efeito, o ministro da Fazenda chega a dizer que não sabe se ajuda o País ficando no cargo. Parece que, se ele não sabe, as classes produtoras sabem, e o veredicto delas é, muito provavelmente, de que ele ajudaria melhor a nação brasileira afastando-se. Quem sabe, assim agindo, daria mais autonomia ao próprio presidente da República e aos ministros, que, bons ou nem tanto, certamente agiriam com mais desenvoltura. Há supremos mandantes que são melhores fora do poder.





