Lembro como se fosse hoje meu primeiro dia aqui na Itália. Era o início de abril de 1998 e eu tinha acabado de completar 18 anos. Parecia que eu estava vivendo em um sonho. Olhava deslumbrado para cada detalhe no caminho do aeroporto até a casa do meu irmão, Binho (ex-lateral do Londrina, que atuou no Empoli, Lucchese e Livorno). Chegando a Empoli não tive tempo nem de me adaptar ao fuso horário. Já me colocaram em campo e tive que superar o primeiro teste de muitos. Fui muito bem e recebi muitos elogios. Convenci a todos que eu poderia ter um futuro no futebol.
Assinei meu primeiro contrato de quatro anos, com um salário mínimo de jogador: 1.200 euros por mês. Para mim, no entanto, isso não importava. O que importava é que eu estava colocando o primeiro tijolinho para a realização dos meus sonhos.
Chegando à Itália, sozinho - meu irmão já estava na pré-temporada com o Empoli - me lembro de quando acordei em casa no dia seguinte da viagem e não consegui segurar as lágrimas. Senti medo, dúvidas, saudade. Não sabia falar o idioma, não tinha amigos. Comecei a pôr na cabeça que teria que resolver meus problemas sozinho. Mas deu certo porque tinha muita fome de vencer na vida, vontade de virar um profissional do futebol.

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