Estava cansado de somente indignar-me ao ler os jornais. Decidido a encontrar um trabalho que acalmasse meus sentimentos e que me completasse como profissional encontrei a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF). Em 2007 passei pelo processo seletivo e fui aceito. Depois da fase da alegria veio a difícil tarefa em desfazer-me da vida que havia construído: vendi meu carro e o terreno no qual iria construir minha casa, passei minha empresa para frente, dei adeus a minha família.
Através da MSF fui à Europa para fazer treinamentos administrativos, prepararam-me para o futuro trabalho. Logo após Oslo, na Noruega, cheguei ao Zimbábue, na África. Um pequeno gerador garantia o funcionamento de nossos laptops, rádio HF e telefone satélite. Não havia luz e nem água encanada.
Deu saudade de casa e dos meus pais, mas jamais pensei em desistir. Afundei de cabeça no trabalho. Fiquei exatamente um ano administrando nosso projeto, que levava tratamento gratuito à população HIV positivo. Trabalhei muito, passei calor, frio, fome (voltei 10 quilos mais magro para o Brasil), perdi pessoas de quem gostava.
Fui ameaçado de prisão pela polícia secreta do regime de ditadura do governo. Também fui atacado quando estava de jipe a caminho do aeroporto na volta ao Brasil. Foi um ano inesquecível, sentimentos de alegria e de tristeza misturados.

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