Minha estreia como...
Lembro-me muito bem como aconteceu: foi em 1954 no estado de Mato Grosso do Sul. Nessa ocasião eu trabalhava na Missão Evangélica Caiuá entre os índios terenos, guaranis e caiuás. Aos domingos o diretor da missão, Pastor Orlando Andrade, nos escalava para pregar nas aldeias. Cumprindo a minha escala fui pregar para um pequeno grupo indígena composto de uma meia dúzia de pessoas. Era um rancho de sapé, chão batido, o texto bíblico no qual a pregação estava baseada era Atos 9.1-9 - a conversão de Saulo. Logo que comecei a falar todos me olhavam bastante assustados. Não demorou muito tempo e todos foram saindo, até que eu fiquei só, e uma senhora índia já bem idosa espantada me ouvia. Logo encerrei a minha primeira prédica. Até hoje, passados 56 anos como pregador do evangelho de Jesus Cristo, fico pensando na minha estreia: o que falei, como me expressei a ponto de espantar meus ouvintes indígenas. Toda estreia é inesquecível, é uma experiência singular e engraçada. Tudo na vida tem seus pequenos começos. Lembro-me ainda do primeiro casamento que celebrei em 1957, na cidade de Centenário do Sul, um casal simpático e uma cerimônia emocionante, mas creio que, a bem da verdade, quem estava mais tenso e nervoso era o celebrante. O tempo passou e há poucos meses tive a alegria de encontrar o casal 52 anos depois. Nos abraçamos, nos emocionamos e, juntos, recordamos aquela noite linda, que ficou no registro, não só da história, mas nos nossos corações. Como é bom relembrar o passado quando este nos inspira a prosseguir olhando o futuro com esperança e boas expectativas. É como muito bem se expressou alguém: ''relembrar é viver''. A vida é um palco, você e eu somos os artistas, todos nós temos a nossa estreia, que por sinal é sempre marcada pela emoção e alegria da realização. Vale a pena dar o primeiro passo e como diz um provérbio chinês: ''se você tem mil milhas para caminhar, caminhe a primeira''.





