Eu me formei no começo de 1996 e fui para São Paulo porque passei no mestrado na USP, na saúde pública. Logo que cheguei a São Paulo prestei um concurso para nutricionista no Hospital Instituto de Infectologia Emílio Ribas, que é considerado o maior hospital da América Latina, de doenças infectocontagiosas.
Eu comecei a trabalhar na pediatria e no hospital-dia. Em 1996, a gente tinha muito aquela imagem que a pessoa com HIV era tipo o Cazuza, magro, desnutrido. E quando eu cheguei lá, para minha surpresa, com o avanço da medicina, da indústria farmacêutica, eu vi que as pessoas já não tinham mais aquela cara de doente do HIV.
A primeira impressão que eu tive disso é que quem vê cara não vê Aids. E depois, que por ser uma doença crônica, as pessoas tinham muito interesse na Nutrição. Eu vi que eles tinham necessidade de aprender e tudo que você falava era útil para eles. Eles queriam sobreviver, lutar para melhorar o sistema imunológico deles.
Muitas vezes a gente tinha que fazer artimanhas, inventar algum alimento para garantir o aporte nutricional de uma criança. Muitas vezes ela não queria comer nada, a gente ia na cozinha experimental inventar receitas. Você via que precisava estudar, a gente aprende na faculdade que para a patologia ''tal'' a dieta tem que ser ''tal''. Na prática profissional cada indivíduo é diferente, tem uma história de vida diferente, tem uma relação com o alimento diferente. E lá eu comecei a aprender isso, que a gente não pode generalizar tudo, que as pessoas precisam de um atendimento diferenciado.
O que eu aprendi é que as pessoas são diferenciadas, que elas precisam ser tratadas de forma diferenciada. Quando você faz uma coisa com amor, você tem que não só trabalhar com o conhecimento que você aprendeu na ciência da Nutrição, mas precisa por amor naquilo que você faz e conhecer a história do seu paciente. Cada paciente é único.

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