As notícias sobre endividamento da população vêm sempre acompanhadas de informações sobre a inadimplência, uma ‘’prima’’ muito próxima. Especialistas em economia vêm, há tempos, alertando para o fato de que o incentivo ao consumo e crédito fácil experimentado pelos brasileiros há alguns anos teria como consequência o desespero com as contas em atraso e o ‘’nome sujo’’ na praça.
Sondagem divulgada esta semana pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostrou que o percentual de famílias endividadas caiu a 62,7% em fevereiro - em janeiro, o índice alcançou 63,4%. Apesar da diminuição, trata-se de um percentual bastante alto quando se percebe que mais da metade das famílias estão endividadas.
A pesquisa da CNC mostrou também que, na contramão, a inadimplência registrou um leve aumento de janeiro para fevereiro, passando de 19,5% para 19,7%. Um dado preocupante que o estudo revelou é o tamanho da ‘’mordida’’ das dívidas no bolso do cidadão. Na média, 30,9% dos rendimentos são destinados para quitar dívidas. Essa parcela era de 29,8% em janeiro e 29% em fevereiro de 2013. A situação é pior para 22,5% das famílias endividadas, que relatam ter mais da metade do orçamento comprometido com prestações.
Uma informação que a princípio preocupa, pode revelar na verdade um aspecto positivo nesse cenário de consumo desenfreado. Trata-se do tempo médio da dívida, que vem subindo - 30,3% das famílias disseram ter contas por mais de um ano. Geralmente, esses compromissos mais longos indicam que o financiamento habitacional começa a ocupar o espaço de prestações de itens voltados para o consumo imediato. Ou seja, trata-se de uma dívida considerada como um investimento.
O brasileiro conhece pouco sobre economia básica e sobre quanto taxas e impostos interferem no seu orçamento e no seu poder de compra. Impostos, tributos invisíveis, cobranças disfarçada, tudo isso faz parte do dia a dia do brasileiro e ele nem se dá conta. Assim como em outros países, noções básicas de economia deveriam fazer parte da educação do brasileiro desde o momento em que ele aprende as quatro operações básicas.

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