As casas populares de antigamente eram muito mais confortáveis e ofereciam mais privacidade do que as unidades que estão sendo construídas agora pelo programa Minha Casa, Minha Vida. Se os moradores das primeiras moradias sociais de Londrina, o Conjunto do Café, reclamavam da metragem de 250 metros de terreno, imagine o que dizem os habitantes do mais novo empreendimento do gênero na cidade, o Vista Bela, com 125 metros quadrados de área total.
Reportagem de hoje da Folha de Londrina mostra que o padrão de qualidade dos empreendimentos habitacionais populares está caindo, pois o alto preço dos terrenos e a grande demanda de famílias necessitadas fizeram com que a metragem das unidades encolhesse significativamente.
As casas do Conjunto do Café, feitas na década de 1960, eram pequenas, porém permitiam uma ampliação no futuro. Havia terremo suficiente para reforma e para pequenas ações que representavam qualidade de vida, como quintal com espaço para horta e jardinagem.
Difícil não comparar o Conjunto do Café com o Vista Bela. O primeiro, próximo ao aeroporto (zona nobre da cidade), tinha fácil acesso a serviços como escolas, mercados, praças e transporte público. Hoje, as unidades do novo conjunto, construído na Zona Norte, quase divisa com Cambé, não têm muros que permitem privacidade e famílias de sete pessoas precisam se acomodar em 36 metros quadrados. Também não há calçadas e a falta desse item causa transtorno tanto em dias de chuva (barro) quanto de sol (poeira).
Quase três mil, de um total de cinco mil unidades do Vista Bela, já foram entregues. Segundo o Ministério das Cidades, o deficit habitacional no Brasil é de 5,5 milhões de moradias. Até 2014, o Programa Minha Casa, Minha Vida pretende construir ou reformar três milhões de habitações.
O País precisa de moradias populares. Melhor seria que elas tivessem também um pouco mais de espaço, privacidade e inseridas em locais com bons serviços e áreas de lazer. Critérios que podem ser levados em consideração na elaboração dos próximos conjuntos.

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