O Brasil reúne todas as condições necessárias para se transformar em uma das nações mais ricas do mundo, mas para que isto aconteça não pode se descuidar de sua soberania. A opinião é do presidente nacional da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (Adesg), professor Pedro Ernesto Mariano de Azevedo.

Segundo ele, a soberania nacional está ameaçada com a presença de tantas organizações internacionais em território brasileiro, especialmente na Amazônia. O assunto será discutido em um seminário a ser realizado no mês de setembro, em uma promoção conjunta da Adesg, Associação Brasileira de Imprensa e Ministério das Relações Exteriores.

Amazônia e soberania nacional são assuntos interligados hoje. O senhor considera que há alguma ameaça nessa região?
Existem áreas hoje na Amazônia em que os índios sabem falar holandês, mas não sabem falar português. Existem ONGs que estão trabalhando muito ativamente naquela região, com a permissão do governo, acredito. Mas é lógico que elas não atuam no interesse brasileiro. Elas podem ter algum aspecto humanitário, mas aos poucos estão se infiltrando. As reservas indígenas que existem hoje estão sobre regiões riquíssimas em minérios com alto teor de pureza, onde há também a participação de ONGs estrangeiras. Tais organizações não são as mais adequadas para defender os interesses nacionais, elas nunca vão fazer isso.

Existe realmente a possibilidade de se transformar as áreas indígenas em nações?
Sim. Existe na Organização das Nações Unidas um projeto que visa transformar as nações indígenas em autônomas, com governo próprio, com bandeira. Já imaginou o Brasil cheio de enclaves com nações com 10 mil índios, 5 mil índios? Não é admissível que o Brasil perca a sua soberania em território que sempre foi brasileiro e que hoje está correndo o risco de vir a servir a interesses de outros países.

Que benefícios a riqueza que existe nessas áreas pode trazer para o Brasil?
Nós temos na Amazônia o maior número de minério que se possa imaginar. Temos molibdênio, bauxita, ferro, diamante, ouro e outros. Tudo está por ser explorado e dará ao Brasil uma nova dimensão econômica. Esperamos que gere muitos empregos, muitas divisas. Essa riqueza precisa ser levantada e devidamente equacionada para que tenhamos o desenvolvimento nacional que nos transforme numa das nações mais ricas e poderosas do mundo. É lógico que isto leva a uma competição com outras instituições multinacionais, com outras nações que não desejam perder suas lideranças nessas áreas.

E com esse potencial o Brasil pode se transformar em uma das nações mais ricas do mundo...
Não há dúvidas. O Brasil é um país que tem água, o que já está se escasseando em muitos países, principalmente na África. Temos também o Aquífero Guarani, que é um oceano subterrâneo com água de muito boa qualidade. Temos energia de todo o tipo e o pré-sal agora nos transforma num dos grandes produtores de petróleo. Produzimos alimentos que podemos exportar para manter uma grande parcela da população mundial. Só de gado bovino temos mais de 200 milhões de cabeças, fora os suínos, caprinos... O Brasil hoje realmente é uma potência nessa área e à medida que formos explorando esses recursos minerais, teremos muito mais riquezas.

E quais são os desafios do Brasil hoje nesse contexto?
O grande desafio é manter a nossa soberania intacta. Não podemos permitir que interesses externos possam controlar as nossas ações internas. E há um grande interesse externo que deseja mexer com a nossa riqueza, com o nosso poder. Precisamos fortalecer o Brasil tanto econômica como militarmente. O Brasil tem as forças armadas muito bem adestradas e respeitadas internacionalmente, mas pequenas. E a diplomacia brasileira para ser bem sucedida precisa ter, como as grandes potências, um mínimo de respaldo militar. Outro é o desafio científico-tecnológico. Temos a Embrapa, o Centro Tecnológico da Aeronáutica, estamos desenvolvendo nossos satélites, podemos construir submarinos, somos capazes de desenvolver tecnologia de ponta. O Brasil é um dos poucos países que estuda os genomas. Estamos caminhando, de forma vagorosa, mas decidida, para nos transformarmos em uma grande potência e alcançar um lugar no Conselho de Segurança da ONU.

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