Minc ouve recusas de Lula mas permanece
Durou pouco a aparente independência do futuro ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, porque na primeira conversa frente a frente com o presidente Lula ouviu dele a negativa do dinheiro que pedia (R$ 1 bilhão) e de utilizar as Forças Armadas para proteger a Amazônia. O presidente da República, a quem compete a designação desse poder armado para agir em caso como este, preferiu criar um gasto novo, sugerindo a criação de uma Guarda Nacional Ambiental, não se sabe com quantos homens e com que equipamentos. Se for um grupo pequeno, nada resolverá, e ser for grande, onerará a nação com novos gastos, quando as Forças Armadas já existem - a elevado custo á- e estão prontas para qualquer ação.
Lula também manterá Mangabeira Unger no cargo de gestor do Plano Amazônia Sustentável, e recorda-se que na semana passada Minc disse que não tinha função para esse funcionário. Foi por causa da designação de Unger que Marina Silva renunciou. Os novos fatos - pós reunião com Lula - não afastaram Minc de aceitar o Ministério, embora seu alarde de que não assumiria se seus pedidos não fossem atendidos. O futuro ministro revelou-se espetaculoso, e ele mesmo declarou-se performático. Em Brasília ele fez um pouco de show, vestindo um colete de seda, no Palácio, e fazendo cumprimentos do gênero ''saudações ecológicas e libertárias''. Sua aparente independência, logo após ser convidado, não era mais que performance. Porque Lula disse não e ele aceitou. Embora outras boas propostas que fez, não se crê - e isto de certa forma desaponta a muitos - que Carlos Minc faça muito mais do que fez Marina Silva. Porque tem no presidente Lula o grande obstáculo.
Parecendo uma resposta, uma nota nos jornais diz que a Força Aérea já faz vigilância diária na Amazônia (para detectar desmatamento e queimadas), em missões de inteligência por meio de jatos e instrumental de última geração. Isto é verdadeiro, e acontece desde 2002, mas essa prática ocupa-se de vigiar e de informar mas não de combater. Porque a devastação tem se intensificado ultimamente, a ponto de o próprio presidente Lula haver se surpreendido com a extensão disso.
A torcida é para que algo emanado do novo ministro traga resultados satisfatórios, mas a arrancada inicial foi mais um espetáculo, quando ele pareceu demonstrar que vinha com grande força e que não assumiria se não fosse atendido por Lula em todos os seus pleitos. E não foi, mas não dispensou a tentação de ocupar o Ministério.





