Militares como fiadores
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sexta-feira, 10 de maio de 2019
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O tema pode parecer inédito e impróprio, se associado à história recente do País ou a vários exemplos sul-americanos do século XX, mas trata-se de uma feliz constatação. As recentes acusações de traição contra os militares, advindas do pseudo pensador Olavo de Carvalho e tuitadas pelos filhos do presidente, com o silêncio elucidativo do mesmo, precisam ser analisadas com muita atenção. Que traição seria essa? Segundo o guru de extrema direita, a traição se refere aos ideais “bolsonaristas”.
Ora, quais seriam eles? Deduzo que se trate da construção de um modelo de nação revisionista, que implique na imposição de valores que, em sua ótica, devam substituir os anteriores. Mas aí nos perguntamos: passa esse modelo pelos cortes nos recursos para a Educação por exemplo, penalizando ótimas universidades só porque nesses meios também existem manifestações de arte, de gostos sofríveis ou discutíveis? Passará pela ingerência em empresas estatais autônomas? Ou quem sabe, pela insinuação de um possível envolvimento militar na Venezuela, acompanhando o senhor Trump, a quem servem incondicionalmente? Ou quiçá, pelo armamento da nossa população?
O incômodo de Olavo de Carvalho a que ele chama de traição, nos intriga. Em quatro meses de governo, todos que torcem sinceramente pelo país, querem mais! Não aumentando decretos presidenciais ou medidas provisórias, mas mais coesão e lucidez pelo que o eleito e a sua equipe são responsáveis.
Os homens da farda foram chamados ao Planalto para dar credibilidade e eficiência ao governo de um deputado desconhecido carregando apenas uma bandeira anti antigo regime. Raras vezes em governos eleitos, a presença de militares se deu em tão significativa escala. No entanto, o Brasil, após surpresa inicial, foi conhecendo melhor os “seus generais” e verificando que, nas últimas três décadas, as casernas acompanharam as mudanças de pensamento pelo mundo afora. Sem dúvida uma grata surpresa. E mais: temos verificado que essa eficiência técnica fica até ofuscada com a postura verdadeiramente democrática e o nacionalismo arejado, que são refletidos na serenidade e nas denúncias dos devaneios do dito guru.
Não existe traição. O que enxergamos nos fardados - agora de terno e gravata - é apenas garantia de que o Brasil, com o seu povo e seus valores, não avançará para nenhuma aventura que ponha em risco as conquistas arduamente alcançadas. Os militares no Brasil hoje, estão mais semelhantes aos militares portugueses do Abril de 74 do que aos seus pares do século passado na América Latina. Isso é motivo de orgulho. A quem pode interessar pois, desmoralizar a classe? O vice é um general. Ativo no seu cargo, mas fiel e cortês. Bom para quem “se livrar dos militares” neste estágio?
Talvez aqui sim, possa existir traição. Afinal a presença e o respaldo dos mesmos militares foi a sombra que acompanhou o candidato Bolsonaro. Milhares de brasileiros viram, nesse fato, credibilidade no futuro governo. Descartá-los, ou pior, colocá-los numa posição constrangedora no embate com o extremista e pseudo filósofo, é ruim para o País e mais um motivo de apreensão com este governo.Os militares brasileiros, após 55 anos do golpe de 1964, são hoje os guardiões das instituições democráticas e do verdadeiro espírito da nação brasileira. Se esta tese parece exagerada, vamos torcer para que nunca precise ser demonstrada.
Pe.MANUEL JOAQUIM R. SANTOS(Londrina)


