A caminhada sem sucesso do grupo Onofre Pinto começou a ser escrita em 1973, um ano antes do seu desaparecimento, quando o Brasil era governado pelo general Ernesto Geisel e a Argentina, pela direita peronista. Os militantes brasileiros, refugiados, planejavam retornar ao país pelo Paraná com claro objetivo de retomar a luta armada contra a ditadura.
O paulista Onofre Pinto chegou na Argentina em setembro de 1973 após entrar em divergência com seus colegas e sair do comando da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Ele tinha como meta recuperar seu prestígio e passou a planejar sua última tentativa de resgatar a imagem desgastada sob a suspeita de ter acobertado o polêmico José Anselmo dos Santos, o cabo Anselmo, que se infiltrou na organização.
Refugiado na Argentina, o ex-comandante estava decidido a voltar ao Brasil. Para isso, planejou o retorno em parceria com o ex-sargento da Brigada Militar do Rio Grande do Sul Albery Vieira dos Santos, que chegou em Buenos Aires depois de uma breve estada no México. O plano de entrada formulado por Albery era aparentemente perfeito.
Em 11 julho daquele ano, Onofre Pinto saiu do Hotel Cecil, em Buenos Aires, acompanhado pelo fluminense José Lavechia, pelo mineiro Daniel José de Carvalho, dos paulistas Joel José de Carvalho e Vítor Ramos, e provavelmente Gilberto Faria Lima. Embora sem tradição de militância de esquerda, o argentino Enrique Ernesto Ruggia aderiu à luta dos brasileiros. Outros militantes foram convocados, porém não aceitaram o convite.
O grupo entraria por Santo Antônio do Sudoeste, fronteira com a Argentina. Em Santo Antônio, José Soares dos Santos, irmão do ex-sargento da Brigada Gaúcha possuía uma serraria. Não sabiam os remanescentes da extinta VPR que, ao saírem de Buenos Aires em direção à fronteira, estavam sendo aliciados para mais uma armadilha montada pelos órgãos de repressão da ditadura.
Os militantes chegaram à fronteira em meados de julho com o objetivo de instalar base na serraria de José Soares dos Santos, mas jamais entraram em contato com os colegas.
O governo brasileiro assumiu a responsabilidade do desaparecimento de Daniel José Carvalho, Enrique Ernesto Ruggia, Joel José de Carvalho, colocando-os na Lei 9.140/95, que estabeleceu condições para a reparação moral das pessoas mortas por motivos políticos e a indenização de familiares.
O nome de Vitor Carlos Ramos, que não aparecia no Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos a Partir de 1964 (base para reparar os abusos da ditatura), foi incluído após análise da Comissão Especial do Ministério da Justiça.

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