Milhares morrem pelo insuficiente atendimento que é dado pelo SUS
O atendimento de saúde pública no Brasil é dos mais precários do mundo, embora o alarde propagandístico que os governantes fazem. Só para este fim a União arrecada R$ 36 bilhões anuais por via da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira, mais conhecida como CPMF. Dinheiro que é apenas em parte destinado à saúde, pois volumosa parcela o governo usa para atender a outros gastos, entre eles a pesada máquina burocrática, os superfaturamentos, as mordomias e a corrupção em geral que infesta quase inteiramente o sistema.
É por isso que o governo está agora obstinadamente empenhado em ver aprovada a emenda constitucional prorrogando a CPMF até 2011, um ano após o término do mandato petista. E não porque deseje solucionar os problemas da saúde pública mas para manter o atual status, que não tem medidas para a gastança desembestada. E não é apenas essa verba específica que o governo dispõe para a saúde, porque existem também outros recursos, já que abocanha mais de 60% de toda a receita tributária nacional. O cofre do Tesouro está abarrotado - conforme se lê no noticiário econômico - com disponibilidade suficiente para até dispensar a cobrança da CPMF e baixar a alíquota de outros tributos. Só nos primeiros sete meses de 2007 a arrecadação de impostos federais foi de R$ 332,8 bilhões, 10,34% a mais que no igual período do ano passado.
Com razão os empresários e os economistas apontam os altos impostos e a desorganização tributária como um dos maiores entraves para o crescimento econômico. Por isso, entre tantos males sociais - como o insuficiente número de moradias decentes, a insegurança pública e os pontos falhos da educação e outros serviços - o setor da saúde encontra-se em estado terminal. Basta observar as filas do INSS, os prontos-socorros abarrotados e doentes quase à morte esperando até dez horas para receber uma consulta - feita às pressas e por isso sem grande eficiência. Pacientes esperam até seis meses para fazer uma cirurgia pelo SUS. Não é preciso dizer que milhares morrem por ano antes de serem atendidos, ou morrem como consequência de atendimento tardio.
O SUS paga mal e com atraso a médicos e hospitais, atende precariamente aos pacientes - e não por culpa dos atendentes, que fazem o que lhes está ao alcance, dentro das limitações - por isso converteu-se num fosso de desesperados. Só quem percorre as alas dos hospitais e casas de saúde destinadas aos carentes pode constatar a triste realidade, que nem o presidente Lula e nem o seu ministro da Saúde conhecem. Tudo isto acontecendo com suficiência de recursos financeiros, mas que se tornam escassos porque a máquina governamental emperrada, gastadora, desperdiçadora, pouco operante e corrompida consome tudo.





