Milanez e os desafios do desbravamento
Falar da despedida de João Milanez é mais que uma tarefa jornalística, por converter-se em algo muito íntimo para os que acompanharam a sua trajetória.
É uma situação de forte envolvimento sentimental. Muito do que pode ser dito sobre Milanez está escrito em outros locais desta edição, mas todos os que conviveram com ele o tinham não como um patrão mas como um colega de trabalho e um companheiro.
Este Editorial, hoje, é um pouco da voz de cada um desta casa - jornalistas, repórteres fotográficos, publicitários, o pessoal da administração, de todos os funcionários no geral, dos colaboradores e do atual comando da empresa. Esta edição foi escrita e elaborada em clima de reverente silêncio mas também com sentimento de gratidão de todos, pelo legado que este homem deixou - por via do jornal e pessoalmente - para cada um dos que conviveram com ele e para a vasta região de abrangência da circulação da FOLHA.
O legado de Milanez foi este Jornal, e por este meio contribuiu (ele fundindo-se ao próprio veículo e à toda a equipe) para a missão de informar mas também mobilizar as lideranças em grandes empreitadas. Era pensamento deste capitão do jornalismo que a função de um jornal era mais que trasmitir informações, mas também prestar serviço e participar do processo desenvolvimentista de instituições, empresas e pessoas, incentivar ideais de crescimento e difundir fé e esperanças. Isto não descartava a vigilância sobre os tiranos. A retidão no que escrever e do como escrever eram postulados presentes nas recomendações diárias, que não afastava sua presença física da empresa e, mesmo quando ausente, mantinha-se em sintonia permanente. Tinha o desassombro de defende-los veementemente quando perseguidos. O período ditatorial foi um tempo de provação, mas se Milanez respeitava o que considerava correto do regime, não abandonava a sua gente nos momentos críticos, que foram muitos para a classe jornalística. Se existe predeterminismo, João Milanez aportou em Londrina com esta missão especial, e ele a cumpriu plenamente.
O sentimento de todos nesta empresa é de pesar mas também de serenidade, pela consciência de haver realizado o melhor que foi possível fazer marchando ao lado de João Milanez na consecução desta obra jornalística, durante o período de sua plena atuação, e agora sob o atual comando. Porque a obra não se conclui em cada edição mas se renova a cada dia e parece sempre ser a primeira e única.





