A reportagem desta ''Folha'' relativa à migração de trabalhadores do campo para atividades na construção civil nas cidades serve de alertamento para um detalhe do nosso tempo, aqui no Paraná, na ausência de estudos sistemáticos sobre esse tipo de manifestação que por vezes em circunstância de conjunturas especiais se processam de forma quase massiva. É visível a carência de mão-de-obra na construção civil que em Curitiba atingiria, ainda em função do mercado aceso (com tendências a baixar), cerca de 3 mil postos. Também só na área de supermercados há na Capital a falta declarada de 1.500 trabalhadores.
Enquanto há essa demanda insatisfeita nos centros urbanos a agricultura tende a sofisticar-se tecnologicamente cada vez mais na assimilação da bioengenharia e no que diz respeito à mecanização, dispensando massas de trabalhadores e em alguns casos até de forma dramática certamente como se dará quando o corte de cana, por imposição da modernidade e dos custos, se processar na via da automação, exigência que tem sido postergada para não gerar tensões maiores.
O Paraná precisa recuperar o nível de excelência que já teve lá pelas décadas de 70 e 80 do século passado nas rotinas de acompanhamento desses fenômenos e que permitiam estudos prospectivos. É claro que erros foram cometidos como o do Censo de 1980 quando a Copel, incumbida de fazê-lo, quando essa tarefa era do Ipardes, estabeleceu uma previsão populacional de 10 milhões só alcançada recentemente. O Paraná, conforme o IBGE, tinha 7 milhões e 600 mil habitantes.
Recuperar essa capacidade de monitoramento das mudanças e especialmente de casos de uma ruptura como a flagrada no texto jornalístico é uma necessidade imperiosa e há na área de planejamento, ora confiada a um conhecedor como Cássio Taniguchi e que conta ainda no Ipardes a pilotá-lo um economista do porte de Gilmar Mendes Lourenço. Restabelecer rotinas, recuperar quadros são imposições para quem pensa estrategicamente o Paraná.

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