Migração e falta de políticas públicas
A redução da população dos pequenos municípios aparece como uma tendência bastante acentuada. Esse movimento teve início há algumas décadas e reflete claramente a busca por melhores condições de educação e emprego em cidades maiores. Estimativa populacional divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada recentemente, indicou que dos 399 municípios paranaenses, 154 apresentaram redução de população em 2015 com relação ao ano anterior cerca de 38% das cidades. O índice estadual supera a média nacional, que é de 24,5%.
Esse movimento pode ser explicado pelo êxodo rural e pela economia pouco diversificada dos pequenos municípios. Sem atrativos econômicos e com poucas opções de educação e qualificação profissional, os jovens deixam essas localidades para estudar e não retornam. Reflete também a falta de políticas públicas nacionais e estaduais direcionadas a esses municípios. Se houvesse um planejamento consistente e que promovesse o desenvolvimento igualitário das diversas regiões, a migração seria menos acentuada.
É fator de preocupação que a perda populacional leva essas cidades a ficarem ainda mais dependentes dos repasses federais e estaduais e com menos capacidade de gerar recursos devido ao enfraquecimento econômico. Outra questão importante é o envelhecimento da população. Ainda que atualmente os idosos tenham conquistado melhor qualidade de vida e independência financeira, não se pode negar que é gerada uma sobrecarga no sistema de saúde. E daí a necessidade também de se direcionar recursos para programas de prevenção e monitoramento e que melhorem a mobilidade e a acessibilidade das cidades.
Além disso, o sistema previdenciário precisa ser fortalecido. Com mais idosos e com uma população economicamente ativa menor é natural que ocorra um desequilíbrio financeiro. E, por isso, a necessidade de se fortalecer a economia. Salários maiores conseguirão suportar essa inversão. Por enquanto, parece haver pouca movimentação dos governos para modificar essas políticas. No entanto, essa inércia não pode continuar e a população não pode continuar a pagar por décadas de falta de planejamento e desestrutura governamental.





