Mianmar recusando entrada de equipes de ajuda
A tragédia da República de Mianmar (antiga Birmânia e capital dos templos) é dramática demais para ser ignorada pelo mundo, porque já se fala em 80 mil mortos (número sugerido por diplomatas estrangeiros no país), embora o noticiário oficial fale de 23 mil, mais 42 mil desaparecidos. O ciclone tropical que varreu a área litorânea no último dia 3 foi devastador, semeando morte e dor e necessitando de ajuda de outros países. Mas o drama, tão desolador quanto o momento vivido pelo povo dessa região do sudeste asiático, é que seu governo ditatorial não quer a presença de equipes estrangeiras de ajuda e só aceita dinheiro. Que as nações propensas a prestar socorro não desejam dar, por desconfiança de que haja desvios.
Estados Unidos e França e organizações internacionais estão pressionando para que o governo mude essa posição, mas decorrida uma semana da catástrofe, não houve resposta positiva. Ironicamente, a junta militar que governa o país há muitos anos, por um golpe, denomina-se Conselho de Estado para a Paz e o Desenvolvimento e abusa dos direitos humanos. Isto já gerou protesto das Nações Unidas, e a Organização Internacional do Trabalho mobilizou-se para uma ação junto à Corte Internacional de Justiça denunciando a imposição, pelo regime, de trabalhos forçados a cidadãos. Bastante montanhosa e situada entre China, Índia, Laos e Tailândia, a República de Mianmar tem uma população de 46 milhões, na grande maioria alfabetizados. A predominância é de budistas e os restantes são cristãos e muçulmanos. O povo é basicamente rural e cultiva arroz e outros produtos, mas ocorrem muitas atividades ilícitas, como a produção de ópio e drogas para o fabrico de heroína, não se sabendo até que ponto o sistema governamental participa disso.
Estarrece verificar-se, diante de uma catástrofe de tamanha dimensão e com tão elevado número de vítimas, que um país dominado por ditadores e acusados de molestar seu povo, recuse que equipes de socorro ingressem em seu território. Essa atitude, e só a aceitação de dinheiro, colocam sob suspeita a seriedade do governo (comandado pelo general Than Swen) e, dessa forma, mesmo com a pronta disposição do auxílio estrangeiro, mais pessoas morrem e padecem. Uma triste faceta do mundo e do que certos governos são capazes de fazer contra o povo.





