MEU PRÓPRIO NEGÓCIO - Empreendedores não nascem prontos
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quinta-feira, 03 de março de 2011
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
O Brasil tem hoje cerca de 6 milhões de micro e pequenas empresas formais, segundo dados do Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). No Paraná, esse número chega a 450 mil. Esses empresários são responsáveis por empregar cerca de 60% da mão de obra do país e respondem por 20% do Produto Interno Bruto (PIB).
A importância dessas empresas é tal que em janeiro a presidente Dilma Rousseff anunciou que vai criar o Ministério da Micro e Pequena Empresa. Dentro do seu programa de capacitação, o Sebrae promove de 17 a 20 deste mês, em Curitiba, a Feira do Empreendedor 2011 - Paraná. A palestra de abertura será do administrador de empresas e escritor Max Gehringer.
A pedido da FOLHA ele respondeu a algumas das principais dúvidas de quem quer se tornar um empreendedor. E alerta que a decisão de se tornar patrão não deve ser tomada pelos motivos errados. ''Um deles é ''não aguento mais meu chefe'' e outro é ''estou procurando um emprego há meses e não encontro''. Nesses casos, a opção pelo empreendedorismo é mais uma fuga da realidade do que o aproveitamento de uma oportunidade'', adverte.
Como a pessoa pode saber se tem perfil para ser empreendedor?
A resposta mais prática é ''tentando''. Os empreendedores que eu conheço já demonstravam, quando eram crianças ou adolescentes, tendências a tomar decisões sozinhos. Também não gostavam de receber ordens. Mas, embora esses sejam traços de empreendedor, também conheci pessoas que possuíam essas características, tentaram abrir um negócio próprio e se deram mal. Por outro lado, tenho dois amigos que eram tímidos quando crianças, falavam pouco, conseguiram um emprego logo que terminaram o curso técnico, e anos depois se tornaram empreendedores de sucesso. Embora o perfil de quem deseja ter seu próprio negócio seja o do que acredita, é pró-ativo e vai em frente, minhas observações pessoais me ensinaram que ninguém pode ser, em princípio, descartado.
O empreendedorismo pode ser aprendido ou é uma questão de ''ter o dom''?
Quem tem as características que listei na resposta anterior já elimina um passo no processo, o da dúvida inicial se vai dar certo ou não. Mas há diversos tipos de negócios próprios, e nem todos exigem que o empreendedor seja um grande vendedor ou um empresário altamente criativo. Um amigo meu tem um escritório de contabilidade. Ele começou fazendo declarações de imposto de renda para os vizinhos, depois passou a fazer a escrituração para microempresas de conhecidos e hoje tem um escritório muito bonito e oito funcionários. Olhando para meu amigo, mesmo hoje, eu não afirmaria que ele tem aquela aura de empreendedor. Mas ele tinha competência técnica, soube capitalizar alguns relacionamentos que já tinha por amizade e, principalmente, fez o que sabia fazer, sem se arriscar num setor sobre o qual não tinha conhecimento prévio.
No Brasil muitos se tornam empreendedores por força das circunstâncias (após uma demissão, por exemplo). É possível que o negócio dê certo nesses casos?
Há alguns motivos errados para começar um empreendimento. Um deles é ''não aguento mais meu chefe'' e outro é ''estou procurando um emprego há meses e não encontro''. Nesses casos, a opção pelo empreendedorismo é mais uma fuga da realidade do que o aproveitamento de uma oportunidade. Isso não quer dizer que o negócio não irá dar certo, mas sem dúvida as chances de que dê certo são menores.
Na hora de montar um negócio, um dos primeiros pensamentos é procurar o que ''está dando dinheiro'' no momento, como se isso fosse garantia de sucesso. Qual o seu conselho para quem pensa dessa forma?
Fazer um curso no Sebrae, o Empretec, para aprender o que é um plano de negócio, o que é fluxo de caixa, e outras informações básicas que muitos empreendedores iniciantes não levam em conta, ou subestimam. Outro motivo importante para fazer o curso é poder conversar com os demais participantes. Pelo menos metade já abriu um negócio, não foi feliz e decidiu fazer o curso antes de abrir o segundo. Conversar com essas pessoas e entender o que deu errado é uma maneira de evitar os mesmos erros.
Como saber se o investimento que está sendo feito vai valer a pena?
O melhor seria não investir todas as economias num negócio. Não tentar dar o grande passo de uma só vez. É preciso ter consciência de que empreendedorismo não é uma ciência exata, e que surpresas acontecem, tanto boas quanto más. Os juros de empréstimos são altíssimos e ter um fundo de reserva é uma das coisas que bem pouca gente leva em consideração, mas é essa reserva que vai garantir um mínimo de tranquilidade caso a realidade mostre que o otimismo inicial era meio exagerado.
Micro e pequenos empresários muitas vezes vivem com o orçamento apertado e por isso acham difícil buscar capacitação quando enfrentam problemas no negócio. Quais as alternativas?
Reavaliar o negócio. Não insistir no que não vem funcionando a contento há mais de dois anos. Procurar outras possibilidades. Talvez agregar um sócio. Existem cerca de 7 milhões de micro e pequenas empresas no Brasil, legalizadas ou não. Elas empregam nove em cada 10 funcionários da iniciativa privada. Num universo desses, é possível que 20% estejam com problemas financeiros insolúveis, que não lhes permita fazer um curso, ou pagar um curso de aperfeiçoamento para um funcionário. Mas a maioria dos empresários conseguiu encontrar soluções e caminhos. Se não fosse assim, o Brasil estaria correndo o risco de um colapso imediato, porque as micro e pequenas empresas são a base do mercado de trabalho.
Serviço: Informações sobre a Feira do Empreendedor no www.sebraepr.com.br/feira.


