Métodos contraceptivos preferidos são a p¡lula e a laqueadura
O primeiro Programa de Assistencia Integral à Saúde da Mulher foi implantado no país em 1983. Três anos depois, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontava que 27% das mulheres brasileiras casadas estavam esterilizadas cirurgicamente. Os métodos contraceptivos preferidos eram a pílula e a laqueadura.
Esta preferência continua, principalmente entre as mulheres de classes mais pobres. No ano passado 283 mulheres fizeram laqueadura pelo SUS em Londrina e outras 4570, atendidas em Unidades Básicas de Saúd, passaram a utilizar a pílula anticoncepcional.
O Programa de Planejamento Familiar foi implantado de forma padronizada em Londrina em 1994. Apesar de estar funcionando há quase 10 anos, o número de atendimentos é tímido - 5640 mulheres e 3094 homens atendidos no ano passado - menos de 2% da população. Entre os homens, uma surpresa: 580 fizeram vasectomia, praticamente o dobro do número de mulheres que se submeteu à laqueadura.
Na teoria, o Programa funciona de forma simples: para participar é só procurar uma Unidade Básica de Saúde. Todos recebem orientações individuais e em grupo, com aulas de anatomia, palestras sobre prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e finalmente orientações sobre todos os métodos contraceptivos disponíveis. As mulheres também passam por consulta médica.
''Normalmente as mulheres chegam e já pedem a pílula ou laqueadura. Nós ensinamos todos os métodos'' garante Flávia Cimitan Mendes, coordenadora do Programa de Planejamento Familiar da Secretaria Municipal de Saúde. Os métodos disponíveis no Programa incluem 3 tipos de pílula anticoncepcional, dois tipos de contraceptivos injetáveis, camisinha masculina e feminina, Dispositivo Intra Uterino (DIU) e o Diafragma. ''As mulheres podem escolher mas a última palavra é do médico. A gente não fornece nada sem preescrição médica''- diz Flávia.
Os candidatos à laqueadura ou vasectomia são encaminhados para a Maternidade Municipal (se estiverem grávidas e forem fazer cesárea) ou para o Conselho Intermunicipal de Sa© úde do Médio Paranapanema (Cismepar). A responsável pelo Programa garante que não faltam produtos e medicamentos.
Na prática, o Programa não funciona tão bem assim. Ivanilda Ramos, 34 anos, mora num barraco de um cômodo no Assentamento Montecristo, perto da UBS do Jardim Marabá. Ela tem 9 filhos, o mais velho com 14 anos e o menor com 11 meses. Sete dos filhos moram com ela. Ivanilda nunca fez planejamento familiar. '' Eu nunca procurei, nunca quis tomar remédios. Meu primeiro marido, com quem tive 8 filhos, também não gostava de evitar'', conta Ivanilde.
Há pouco tempo ela deixou o marido, conheceu um rapaz e foi morar com ele. Engravidou novamente: '' Ele era solteiro, não tinha filhos, eu quis dar um filho prá ele'' explica. O rapaz foi embora e ela ficou sozinha com as crianças. Ivanilde trabalha como catadora de papel e ganha menos de 100 reais por mês. Para alimentar os filhos ela conta com uma cesta básica mensal e o auxílio do Programa Bolsa-Escola: '' Quem trata de um, trata de oito. Fome a gente não passa porque eles comem qualquer coisa que eu ponha na mesa''.
Maria Aparecida Araújo de Olivera, 32 anos, fez laqueadura depois do quinto filho. O mais velho tem 9 anos e o menor 10 meses. Ela também mora num barraco, foi abandonada pelo marido e está desempregada. '' Eu tomava remédio mas não adiantava. Tomei dois tipos de pílula mas toda vez eu engravidava. Esses remédios não valem nada''.





