METAMORFOSE AMBULANTE - Cirurgia plástica: use com moderação
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sábado, 20 de dezembro de 2008
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
Com a temperatura nas alturas e a proximidade das férias de verão, o desejo de exibir um corpão de dar inveja durante a estação mais quente do ano se torna regra e objetivo entre muitas mulheres e homens. Para tanto, eles não hesitam e entram no bisturi, fazendo do Brasil o segundo país a realizar mais cirurgias plásticas no mundo.
Antes de entrar na faca em busca da perfeição, vale o cuidado extra: não se deixe seduzir pelo sonho de resultados imediatos, que o tornarão cópia de Sabrina Sato ou Rodrigo Santoro. O efeito pode estar mais para Michael Jackson.
Quem faz o alerta é o especialista Wandler de Pádua, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Em entrevista à FOLHA, Wandler condena os exageros e defende respostas reais, precisas e claras aos pacientes.
Qual o maior medo das pessoas que chegam ao seu consultório?
Geralmente o maior temor é pelo desconhecido. As mulheres, que encabeçam o ranking da procura, querem primeiramente conhecer o cirurgião, o hospital, se informarem como vai ser o pós-operatório etc...
Diz-se que as mulheres têm o hábito de conjugarem as cirurgias. Quais são as intervenções mais procuradas?
O silicone e a lipoaspiração caminham juntos. O comportamento persiste, as mulheres estão sempre em busca de dar um jeitinho e não hesitam em perguntar se é possível fazer mais de uma intervenção, mas as respostas vêm na consulta. É de extrema importância que o cirurgião saiba discernir a real vontade da real necessidade de um procedimento cirúrgico. Não raro, os cirurgiões fazem as vezes de psicólogo, explicando o que é possível ser feito e eliminando as falsas expectativas. Ao eliminar as falsas expectativas, diminuímos o grau de insatisfação no período pós-operatório.
Os homens estão mais vaidosos. O que eles mais procuram?
Os homens procuram bastante lipoaspiração, pálpebras e nariz. O temor dos homens, aliás, é similar ao das mulheres, mas com certeza afirmo: as mulheres são mais corajosas, fazem procedimentos maiores e reclamam menos que os homens no pós-operatório.
Na era do Photoshop e dos propalados milagres que o bisturi pode promover, as pessoas ainda chegam ao consultório com intenção de serem a cara de determinada celebridade?
A mídia está prestando um serviço de utilidade pública, cada vez mais, ao trazer as limitações da cirurgia. Precisamos reiterar: retirada de costelas não existe e, quem o faz, contraria a natureza. A própria Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, diante de tantas perguntas, já se manifestou contrária a isso.
E as mulheres-fruta e boing boing, que querem bater o recorde em quantidade de silicone? Há quem aceite operá-las...
São muito poucos os cirurgiões que se submetem a prestarem esse tipo de serviço. Primeiramente, precisamos levar em conta a integridade da paciente. Se ela tem um desejo que não é normal, devemos encaminhá-la a um especialista, um psicólogo, e ponderarmos a respeito. Eu, particularmente, sou completamente contra. Uma cirurgia em que se opte pelo exagero e não pelo bem-estar e integridade da paciente, depõe contra o autor da obra. Para a cirurgia plástica, a máxima médico-paciente tem que prevalecer sobre as aspirações financeiras. No futuro, tanto para a paciente como para o profissional, essa busca desenfreada e a autoria do inusitado custam caríssimo. Não vale a pena.


