Eleito com 90,8% dos votos, o professor de física Eduardo Toshio Nagao é o novo presidente do Sindicato dos Professores das Escolas Particulares de Londrina e Norte do Paraná (Sinpro).

De formação cristã, Nagao sustenta à reportagem da FOLHA suas metas: fomentar a recuperação da dignidade do professor, lutar por melhores salários, fazer contato com a base - são cerca de 1500 membros. Para tanto, o professor conta com uma maior participação dos filiados. ''Para se lutar por uma melhoria salarial, é preciso participar'', afirma.

Como presidente do Sinpro, qual a bandeira a ser hasteada, em sua gestão?
Nossa bandeira é defender a conscientização dos professores. De que forma? Com o professor mesmo se dando conta de que é o elemento transformador da sociedade. Cursos, palestras de atualização, entre outras atividades, estão programadas, para que possamos promover essa conscientização e elevar a auto-estima dos professores, hoje tão em baixa.

Quais os projetos em pauta, para o próximo ano?
Pretendemos dar continuidade aos projetos ''Educação para o Pensar'' e 'Café com Idéias', que prevêem valorizar a formação dos filiados, visando a melhoria de todas formas do saber, estimulando a formação política, sindical e pedagógica. Nesses eventos, teremos discussões de determinados temas. Já observamos resultados, não visando somente professores da rede particular como também contribuindo com a rede pública, com a participação de alunos e alguns pais.

Mas a classe dos professores anda tão desmotivada. Como ''sacudir'' esse panorama?
Um dos itens a serem analisados é o salário. Cito o modelo educacional coreano, inclusive já noticiado na FOLHA, que destaca salários de US$ 1,5 mil para o professor iniciante, no Ensino Fundamental, e uma aposentadoria especial. Com convenções coletivas de trabalho junto ao Sindicato das Escolas (Sinepe), procuraremos a mobilização e conscientização da categoria, uma vez que poucos participam de nossa assembléia. Para se lutar por uma melhoria salarial, é preciso participar. Fica difícil apenas reclamar e afirmar que ''confia na diretoria do Sinpro''. Somos um sindicato pautado no diálogo, em primeiro lugar. O bom senso é essencial.

Em se tratando de giz e aprendizado, o Brasil está tão atrás assim? O Paraná foi o 25º Estado a aderir ao Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), nas últimas semanas, não?
Vejo, até com certa alegria, a vinda do ministro da Educação, Fernando Haddad, ao Paraná, nos últimos dias, para o lançamento do PDE no Estado, que inclui metas de qualidade a serem alcançadas até 2022. Apesar de o Sinpro ser responsável por escolas particulares, temos percebido as escolas públicas reagirem, o que considero mais que positivo.

O abismo entre as remunerações da rede pública e da rede particular diminuiu?
Sim. Cito meu próprio exemplo: anos atrás, as 20 horas que eu trabalhava na escola particular correspondiam a 60 horas de trabalho no Estado, para chegar ao mesmo valor. Hoje, essa proporção, que era de um para três, reduziu pela metade. De uns dez anos para cá, sinto que a escola pública está ''chegando'' e a particular, talvez preocupada com o lucro, não está valorizando como deveria o professor. A distância está diminuindo, tanto em relação ao corpo de funcionários quanto à estrutura.

O Sinpro conta com 1.500 filiados e cobre 59 municípios. Londrina responde por 80% dos filiados. Qual a ação da nova diretoria para os demais municípios?
Por conta dos números citados, a base está consolidada por aqui. Nossa meta é visitar intensamente essas cidades. Nossa intenção é criar sub-sedes sindicais, também. Para tanto, precisaremos de um elemento, nas escolas, que se prontifique a fazer a ponte, a ligação. Muitas vezes há aquele receio de estar vinculado a um sindicato e ser demitido, mesmo que seja para entregar um jornal próprio ou levar uma informação.

Após 1996, quando a LDB foi promulgada, pessoas que trabalham em creches devem ser professores e ter os direitos e deveres da categoria. Já se trata de uma realidade?
Foi uma vitória. As pessoas trabalhavam oito horas e não recebiam o piso. Reduzimos a carga horária para seis horas, com o excedente contando como hora extra, e, embora o piso seja pouco, ainda, houve um incremento. Anos atrás, o panorama era de atendentes, não havendo o reconhecimento de professores.

Existe uma fórmula para a educação se consolidar?
Demos o primeiro passo, através do PDE. Acredito que o caminho seja, independente desse ou daquele governo assumir o comando, dar-se continuidade aos planos e metas palpáveis, concretos. No Paraná, temos as TVs em sala de aula, o pen drive aos professores. Se mantendo as boas idéias, a tendência é evoluirmos.

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