Verdade seja dita: o MST sabe bem como manipular os números e escolher as melhores expressões para sensibilizar a opinião pública. O que o movimento chama de ‘‘repressão’’ policial, é tão-somente o cumprimento da lei. São as reintegrações de posse determinadas pela Justiça, o que significa que as invasões foram feitas em terras produtivas!
Ao utilizar a palavra ‘‘repressão’’, os sem-terra, espertamente, apropriam-se de um termo muito usado na época da ditadura, para levar a sociedade a pensar que está ocorrendo a mesma violência no campo. Curiosamente, também falam em ‘‘despejo’’, mas quando lhes convém recusam o palavreado urbano (um exemplo, é que na cidade, quem é contratado para proteger o patrimônio é chamado de segurança, mas no campo vira ‘‘jagunço’’).
O levantamento feito pelo MST e pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) e que deu origem a notícia publicada pela Folha no dia 27 de fevereiro, é um bom exemplo deste jogo sutil desta manipulação da informação.
Vamos aos fatos. O Paraná é líder nacional da produção de grãos, tem as melhores terras do País e por isso é o Estado mais visado pelo MST. Sabem por que houve mais reintegrações de posse aqui, do que no Pará ou em Pernambuco? Em primeiro lugar, porque ocorreram mais invasões no Paraná. Em segundo, porque as terras são mais produtivas. É um raciocínio lógico. Se não fosse desta forma, não haveria intervenção da polícia, que só é chamada para cumprir a determinação judicial, ou seja: para desocupar terras produtivas.
E um detalhe muito importante: a ação policial só ocorre porque os sem-terra se recusam a deixar as propriedades quando a Justiça determina. Não cumprem a lei como se exige de qualquer cidadão comum!
Quanto à violência, ela de fato existe, só que dentro dos acampamentos e entre seus próprios integrantes. O desentendimento entre eles vem sendo noticiado pela imprensa. No fim do ano passado, Celso Antonio Bakes foi agredido e sequestrado por integrantes do movimento por se recusar a entregar 3% dos recursos provenientes do Procera ao MST. Meses antes, em maio de 99, o agricultor João Vasselick foi assassinado em um assentamento, em Bela Vista do Paraíso, após se desentender com as lideranças do MST. Além disso, segundo sua viúva, Vasselick era testemunha do assassinato do segurança Django, da Fazenda Borborema, morto por integrante(s) do MST. Queima de arquivo sim é ‘‘repressão’’.
Ao contrário do que o MST e a CPT tentam afirmar, o governo do Paraná foi até bem condescendente com o movimento. Em que outro Estado, seria permitido um acampamento em plena praça pública, em frente ao Palácio do Governo, por seis meses? Em novembro do ano passado, quando a Sociedade Rural do Paraná lançou a campanha ‘‘O Paraná Tem Lei?’’ havia mais de 40 reintegrações de posse não cumpridas no nosso Estado.
Ao determinar à polícia o cumprimento das ordens judiciais de reintegrações, o governo apenas cumpre a lei. E ao fazê-lo, evita a violência e o confronto entre os proprietários e os sem-terra.
A verdade é uma só. A agricultura tem sido o único setor a apresentar números positivos à economia brasileira. E o Paraná é um dos principais responsáveis por este desempenho. Sinal inequívoco do quanto as terras em nosso Estado são produtivas. É só por isso que há tantas reintegrações de posse. Destruir plantações, maquinários, invadir, expulsar funcionários das fazendas, matar vacas prenhas e tantas outras barbaridades que se seguem as invasões, isto sim é violência.
Não bastasse o constante desrespeito à lei, quando os invasores deixam a condição de sem-terra para assentados, passam a contar com benefícios que a imensa maioria da população não tem, como cesta básica e recursos financeiros praticados a fundo quase perdido e pasmem: cada família assentada custa o equivalente a R$ 30 mil! Dinheiro que desaparece porque os assentados não têm a menor pressa em se emancipar (tanto assim que ninguém conhece a produtividade dos assentamentos). Recursos que poderiam ser melhor aplicados em diversos outros setores como educação e saúde até porque, não é de terra que o Brasil precisa, mas de empregos!
- WALTER MARINHO FALCÃO é diretor-financeiro da Sociedade Rural do Paraná em Londrina