O Governo Lula encerrou 2008 investindo apenas 9% dos recursos disponíveis para a habitação popular, porque, do total de R$ 1,269 bilhão para aplicação em moradia, só foram gastos R$ 115 milhões. Há um déficit de quase 8 milhões de casas desse padrão - o que, se for multiplicado pela média de quatro pessoas por família, representa quase 30 milhões de brasileiros que não têm residência decente -, mas isto não sensibilizou a administração federal. Porque, quem precisa de casa barata financiada mora em favela ou está acomodado apertadamente com outros familiares.
Mas não foi apenas isto, porque da verba orçamentária para o saneamento básico - de R$ 1,988 bilhão - Lula só gastou 23,7%. Para o urbanismo, dispunha no ano passado de R$ 6 bilhões mas só aplicou 17%. O restante, nos três setores, ou ficou imobilizado ou foi destinado a outros fins, e como não houve outras grandes obras deve ter ido para o ralo dos gastos com a onerosa máquina pública.
No geral, também em outras frentes o Governo não teve agilidade para tocar obras no ritmo da provisão orçamentária. No caso de prefeitos - apenas citando-se outra negligência - há dotações no orçamento da União que frequentemente retornam à origem, por perderem o tempo de validade na falta dos projetos pertinentes. Muitos nem sabem dessas verbas, que assim caem em exercício findo. A União nada de braçadas em mar de dinheiro, mas setores como os mencionados e mais estradas, portos e tantas obras de infraestrutura e serviços como saúde, educação e segurança não são contemplados como deveriam ser, mesmo com suficiência de recursos. Quando um governo não tem mobilidade, não realiza obras mesmo com dinheiro, já que os que são bons têm a capacidade de fazer muita coisa até com pouca disponibilidade.
Crises financeiras afetam todo o setor da atividade produtiva mas nunca atingem governos, porque eles têm sempre boas colheitas, oriundas do obrigatório pagamento de impostos pelo contribuinte. Por isso gastam abusivamente, mergulham em mordomias e desmandos. Porque não precisam preocupar-se com receita, já que esta chega normalmente, não têm necessidade de estabelecer metas de produção, nem de produzir com qualidade, nem promover vendas e nem enfrentar concorrências.
Num país carente de infraestrutura pública, especialmente a habitação popular, de melhoria dos serviços de saúde pública e tendo a necessidade de dinamizar a economia e produzir empregos, é uma verdadeira afronta à pátria não realizar obras havendo verba orçamentária.

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