Noite de quinta-feira em Londrina. Casa de jogos na região central - som alto, fumaça de cigarro, jovens bebendo cerveja. As seis mesas de sinuca estão ocupadas. As jovens Carla e Rosana disputam uma partida, enquanto em outra mesa Maria Tereza joga com o namorado. Aos poucos, chegam mais mulheres, com as amigas, com os namorados. Todas vão jogar sinuca. Hábito tradicionalmente masculino, o jogo vem ganhando cada vez mais adeptas do ''sexo frágil''.
Não é só em Londrina que é possível notar cada vez mais a presença feminina nos clubes, casas de sinuca e até em bares onde há um mesa de bilhar. Há cinco anos, quando a Federação Paulista de Sinuca e Bilhar criou seu primeiro campeonato, apenas seis mulheres se inscreveram. Na última edição, no ano passado, foram mais de 40. E elas não fazem feio, pegam o taco e dão um show.
A profissional de marketing Rosana Louzada Martins, de 23 anos, sonha em participar de um campeonato de sinuca. Aprendeu a jogar com o pai aos 12 anos e nunca mais parou. As ''manhas'' do jogo, aprendeu sozinha. Hoje, dedica de cinco a seis noites por semana ao jogo. ''Minha noite não está completa se eu não jogo, depois que sofri um acidente e tive que ficar um tempo parada a primeira coisa que fiz, quando fiquei boa, foi jogar sinuca'', conta.
A professora de espanhol Carla Alejandra Reid Cruces, de 27 anos, também aprendeu a jogar sinuca cedo, aos 14 anos. ''Minha mãe tinha um bar e instalou as mesas depois que percebeu o sucesso que elas faziam em outros bares''. Apesar de gostar de jogar ''por diversão'', Carla prefere jogar ''a sério''. ''Prefiro jogar com pontuação, em mesas equipadas com caçapa de rede, e em locais sem som, que permitem maior concentração'', diz.
Apesar da mulher não ser mais vista como um ''ET'' nos salões, ainda há resquícios de machismo entre os homens, principalmente quando o assunto é a qualidade do jogo. ''Acho legal, não tenho nenhum preconceito, mas elas jogam mal'', avalia o modelista Jefferson Fabiano Garcia, de 22 anos, que diz que já se acostumou com a presença das mulheres nos locais de jogo. ''Eles subestimam a nossa capacidade, passam a vez porque acham que a bola não vai cair'', contam as amigas Andréia Moreira, de 25 anos, e Karina Venegas, de 20 anos.
Para Rui Chapéu, o mestre da sinuca, é justamente a diversão que conta. ''Quem joga profissionalmente precisa treinar muito, se dedicar a valer, mas quem joga de fim de semana tem de aproveitar para relaxar'', afirma. ''E as mulheres também têm esse direito. Fico feliz em ver que elas estão mais presentes nos salões, nos clubes. Sinuca não é jogo de vagabundo. É um esporte que fará até parte das próximas Olimpíadas.''
Aos 62 anos, 30 deles jogando, ele acredita que a sinuca é um esporte de habilidade, não de força e, por isso, pode ser praticado por homens e mulheres. ''O jogo depende de raciocínio, equilíbrio e sensibilidade e a mulher tem tudo isso'', diz. ''Acho lindo ver uma mulher jogando sinuca e não me importaria de perder para uma.'' (Com Agência Estado)

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