O sistema avançado de premiar os bons professores e diretores escolares, no Estado de São Paulo, conta com o apoio do Governo estadual - ou não poderia ter sido adotado, porque envolve dinheiro - e é um bom indicativo para o Paraná fazer o mesmo. Lá, conforme foi comentado ontem neste espaço, foram estabelecidas metas acadêmicas, e se forem cumpridas beneficiarão esses profissionais (e também os demais funcionários da escola) com ganhos adicionais anuais de até três salários. Ao invés de isonomia salarial, que nivela por igual os bons, médios e maus professores, a Secretária da Educação do vizinho Estado, Maria Helena Guimarães de Castro, decidiu que irá premiar os melhores.
   Destacados analistas, fazendo coro com a posição dessa educadora paulista, também condenam a igualdade de ganho quando o desempenho não é o mesmo e não favorece o bom ensino. ‘‘Não se pode dizer que os professores ganham mal, considerando a remuneração de profissionais com igual escolaridade’’, escreve Cláudio de Moura Castro, em sua coluna semana na revista Veja, a mesma que publicou na última edição uma bombástica entrevista a com a Secretária Maria Helena. Ele diz que o mais grave problema está no clientelismo dos governos locais, porque a politicagem passa na frente das preocupações com a qualidade. Assim como a Secretária, ele se refere ‘‘a incompetência ignorada e à competência não reconhecida’’. Se é indiscutível que deve haver valorização de professores e de todo trabalhador, a premiação aos melhores em qualquer carreira é um vigoroso estímulo e, mais que isso, um procedimento justo. No caso dos professores, que são formadores de cidadãos, ainda impera a mentalidade sindicalista da luta de classes, desvinculada da preocupação com a melhoria da qualidade profissional. Este é um dos pontos de atraso do sindicalismo brasileiro. Se as lutas salariais e outras reivindicações não devem ser impedidas, quando pertinentes, este não pode ser o único postulado dos sindicatos.
  Há que romper paradigmas estratificados, e é o que se começa a fazer em São Paulo. Ali, primeiro se exigirá o cumprimento de metas para só depois premiar, e não primeiro adiantar-se com o dinheiro. Porque, se o bom desempenho cessar, também cessará a bonificação. Se funcionar bem em SP – e existe o ingrediente para isso ocorrer, que é a premiação por mérito – o modelo certamente será adotado também em outros Estados. O Paraná deve ficar atento a essa idéia, que se não é novidade em vários países, é inédita no Brasil.

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