Mercosul só no papel
Criado em 26 de março de 1991, o Mercado Comum do Sul (Mercosul) ''nasceu'' com uma missão que parece ter sido muito além da qual poderia comportar. Os signatários iniciais - Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai - tinham como objetivo, no campo econômico, repetir no hemisfério sul o que vinha sendo feito na América do Norte e na Europa, ou seja, promover a livre circulação de bens, serviços e fatores produtivos entre os países, através, entre outros, da eliminação de tarifas.
Só que, na prática, as barreiras nunca caíram de forma efetiva, principalmente no que se refere à relação Brasil-Argentina. Reportagem da FOLHA mostrou nesta semana como as medidas protecionistas impostas pelo governo argentino têm impactado empresas instaladas no Norte do Estado. O reflexo se repete em todas as regiões do País.
Há pelo menos 12 anos os argentinos têm quebrado a regra básica de um mercado comum. E o problema não está sendo criado pela imprensa, como deixou entender o cônsul argentino em Curitiba.
O governo de lá ora cede aos apelos dos empresários, ora aos dos agricultores, e vai criando formas de dificultar a entrada dos produtos brasileiros. Salvaguardam a produção argentina diante da qualidade e do baixo preço dos produtos tupiniquins.
O que há de novo nessa história é a reviravolta do governo brasileiro que resolveu, finalmente, se impor diante das manobras do país vizinho, suspendendo as licenças automáticas para importação de veículos. Decisão acertada que veio com certo atraso.
Os responsáveis pela discussão do tratado precisam encontrar uma fórmula de ressuscitar o tratado, incluindo estratégias para promover trocas de experiências entre os países com vistas a aumentar a competitividade das indústrias estrangeiras dos países menos desenvolvidos do grupo.
A solução passa longe desse ''toma lá dá cá'' que se instalou na relação entre os dois principais países do bloco. A região perde cada dia mais espaço diante de outras zonas de integração, como a recentemente criada por México, Colômbia, Peru e Chile.





