Euclídia Lage, dona da Mercearia do Porto, no Condomínio Cidade Universitária, contra a vontade, tem passado dias tranquilos. A greve afastou 70% de sua clientela. Mesmo assim tem de abrir o estabelecimento todo o dia entre as 6h30 e 20h30. ‘‘Temos de seguir as determinações do condomínio quanto ao horário, além de termos clientes da região para atender’’, resume.
Fazendo questão de ressaltar que não é contra a greve dos servidores da universidade, Euclídia diz que a queda maior do movimento ocorreu a partir de janeiro. Pelos seus cálculos, dos 420 estudantes que moram no Cidade Universitária, não mais de 10% ainda continuam morando lá, mesmo sem as aulas. ‘‘Por isso, o movimento tem ficado abaixo do que se pode considerar calmo.’’ Reposição dos estoques tem sido feito na medida da procura e, assim mesmo, em poucas unidades. Por isso, diz que as prateleiras vazias não refletem o que era a mercearia nos tempos de movimento normal. ‘‘No meio da tarde, por exemplo, não dava nem para conversar, porque os alunos lotavam a mercearia.’’
A comerciante enfatiza que os universitários têm peso importante na economia da cidade, por isso, ‘‘não sou só eu quem está sofrendo com isso. Os servidores são meus fregueses, e ótimos, por sinal. Mas a greve chegou a um ponto que parece que não vai avançar mais. Por isso, é preciso que um dos lados ceda para acabar com isso’’, desabafa. Euclídia, porém, não esconde ter esperança de logo voltar a ter a Mercearia do Porto repleta de gente. E voltar a vender a média de 400 pães por dia. Atualmente, no máximo, são vendidos 60.
Único e solitário taxista no condomínio, Antônio Gonzales de Amo passa a maior parte do tempo ocupado em procurar o que fazer para passar o tempo. ‘‘Vim para cá na esperança de fazer, pelo menos, dez corridas por dia. No entanto, comecei no dia do início da greve. Então, há muito pouco a fazer. O máximo que consigo são três corridas. E pelo rádio’’, diz.
Ele concorda com Euclídia: o movimento dos servidores da UEL é legítimo. ‘‘Mas a greve foi feita na hora errada. É o que ouço o pessoal comentar por aí, pois o governo não irá atender os pedidos, porque está no final do mandato’’, acrescenta. Enquanto a greve não termina, Amo continua com a sensação de que um carro é muito para uma demanda inexistente. ‘‘Ele (o carro) parece que está sobrando aqui’’, diz.

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