O desemprego recuou no Brasil, voltando ao nível da época pré-crise. Mas, em contrapartida, a maioria das novas vagas geradas no País tem uma remuneração máxima de até dois salários mínimos. A análise do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) para um relatório divulgado nesta quarta-feira (18) mostrou que houve, sim, uma melhora no índice de emprego, mas o caminho para vencer as fases mais difíceis ainda é muito longo. Isso porque as conclusões do estudo do Ipea - fundação vinculada ao Ministério da Economia - apontam também para o crescimento da informalidade e da desigualdade de renda.

O conceito de informalidade acomoda os trabalhadores e empresários que não desenvolvem atividade regulamentada pelo Estado. É claro que atualmente o conceito tem variações, mas basicamente os informais são aqueles trabalhadores que recebem remuneração mais baixa e as empresas são aquelas menores que acabam perdendo vantagens que só as legalizadas têm, como acesso ao crédito. Não é bom para o trabalhador e nem para o País, pois há menos contribuição para a Previdência e menos impostos pagos se transformando em serviços de qualidade para a sociedade.

O resumo do relatório: por um lado, o total de pessoas empregadas (93,3 milhões) no trimestre encerrado em julho deste ano está em patamar superior ao de 2015; por outro, as famílias de renda muito baixa estão diminuindo seus ganhos médio enquanto a população mais rica teve uma alta salarial.

Os pesquisadores do Ipea explicaram no relatório que "enquanto no primeiro trimestre de 2019 a renda domiciliar do trabalho da faixa de renda alta era 30,1 vezes maior que a da faixa de renda muito baixa, no segundo trimestre a renda domiciliar da faixa mais alta era 30,5 vezes maior".

Os rendimentos médios mensais das famílias mais ricas cresceram 1,52% na comparação com o segundo trimestre de 2018. Já para as mais pobres, houve queda de 1,43%. O Ipea atribui o impacto à inflação mais forte nas classes mais baixas.

É só mais uma demonstração de como a inflação se revela mais cruel para as pessoas pobres, principalmente as de renda muito baixa, considerada pelo Ipea as famílias com renda mensal inferior a R$ 1.628,70.

É fato que o mercado informal ajudou a reduzir o desemprego. Mas além de todas as consequências negativas citadas acima, o fenômeno da informalidade não ajuda em um ponto que o País precisa melhorar muito: a produtividade. No ano passado, um estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas mostrou que a produtividade no setor informal era quatro vezes menor que no setor formal. E a produtividade é, sem dúvida, um dos fatores que mais afetam a (lenta) recuperação da economia brasileira.

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