Mercado gigante anima indústrias
''Se for um bom negócio, somos a favor.'' A posição é da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), mas pode ser estendida a uma parcela significativa do empresariado brasileiro. ''Não podemos desprezar um mercado de US$ 11 trilhões'', diz o presidente da entidade, Paulo Skaf. A indústria têxtil brasileira está entre as dez maiores do mundo no setor e tem interesse em zerar as tarifas para entrar no mercado norte-americano o quanto antes.
Os exportadores de suco de laranja consideram que, se os Estados Unidos retirarem as barreiras, a Alca é positiva para o segmento no Brasil, que é o maior produtor mundial e exporta 98% do suco que produz o mercado interno é abastecido por fruta fresca. A tonelada do suco custa US$ 700 e os exportadores brasileiros pagam uma taxa de US$ 418 por tonelada que vendem aos Estados Unidos, segundo dados da Associação Brasileira de Exportadores de Cítricos (Abecitrus). ''Se a Alca não incluir o produto na negociação, não interessa ao setor a antecipação do acordo'', diz Ademerval Garcia, presidente da Abecitrus e membro do Conselho Empresarial das Relações Exteriores.
De acordo com informações da entidade, o Brasil tem participação próxima de 80% do mercado mundial, sendo que a maior parte das exportações vai para a União Européia. Os Estados Unidos, no entanto, consomem tudo o que produzem e são grandes importadores. O Brasil, portanto, tem interesse nesse mercado.
''Certamente, em nenhum outro produto o Brasil é tão competitivo e detém parcela tão expressiva do mercado mundial. Uma indústria com essa competência não pode se impor limites regionais, isto é, não tem razão nenhuma para se trancafiar no território de nossas fronteiras, permitindo o crescimento da concorrência gerada em países do Caribe e do Mediterrâneo, estimulados por acordos regionais de comércio que lhes permitem exportar para os nossos principais mercados Europa e Estados Unidos com tarifa zero, enquanto o suco brasileiro para neles penetrar está sujeito a impostos de importação que equivalem àquilo que o produtor brasileiro recebe pela sua fruta'', diz Garcia.
O setor de calçados é um dos mais animados e quer a redução a zero das tarifas de importação já na primeira etapa da Alca, prevista para 2005. ''Em função da grande vantagem competitiva da indústria brasileira, temos uma posição amplamente favorável à Alca'', diz o diretor-executivo da Associação Brasileira da Industria de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein.
Segundo ele, o setor está disposto, inclusive, a aceitar uma redução gradual dos impostos de importação nos demais países que comporão o bloco ao mesmo tempo que reduz a zero o imposto para a entrada dos calçados destes países no Brasil. ''Podemos aceitar essa redução gradual por cinco a 10 anos, até chegar a tarifa zero'', informa Klein. Com a Alca em vigor, o setor calcula dobrar as exportações, que hoje ficam em torno de 25% dos 600 milhões de pares produzidos no País.
''Reconheço que há setores que serão penalizados. Isso é normal num processo de integração'', comenta Klein, acrescentando que ainda não é possível dizer de forma explícita se a Alca será um benefício ou malefício. ''Mas é preciso segmentar o raciocínio e negociar de forma eficaz, identificando as oportunidades e as ameaças.'' Klein diz ainda que os setores que forem estruturalmente não competitivos terão que ''mudar de ramo''.
O setor eletroeletrônico é outro que quer a Alca, mas com adoção de mecanismos para o ''engrandecimento da nossa indústria, onde somos fortes'', como classifica o vice-presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria Eletrica e Eletrônica (Abinee) e vice-presidente da Associação Latino-Americana da Indústria Elétrica e Eletrônica (Alainee), Sérgio Galdieri.
Nesta semana, entre os dias 12 e 13, empresários do setor se encontram em Montevidéo para a reunião preparatória do Fórum das Américas, onde apresentarão um documento com as reivindicações do setor. Segundo Galdieri, as indústrias de eletroeletrônicos querem a desgravação (encontro das tarifas) em três anos, cinco anos e mais de 10 anos, de acordo com as famílias de produtos. ''São amplas as possibilidades do Brasil atingir outros mercados com a Alca, mas isso tem que ser feito de forma responsável para não prejudicar os setores em crescimento'', defende.





