CDB, Bolsa de Valores, Commodities, Fundo de Renda Fixa, papéis do Governo, moeda estrangeira. Apesar de tantas opções de investimento, a maioria dos brasileiros continua deixando seu dinheiro na tradicional caderneta de poupança.

Um dos grandes motivos para a falta de mudanças no comportamento nacional é a falta de conhecimento. A FOLHA procurou um especialista no assunto, o administrador de empresas e analista de ações Rafael Franco Nunes, para saber como deve proceder alguém que tem vontade de inovar a maneira como investe seu dinheiro. Segundo ele, as possibilidades de escolha são várias e muitas delas são tão seguras quanto a poupança e mais rentáveis.

Para quem ainda é interessante ter dinheiro na poupança?
Para investidores ultraconservadores, geralmente com uma faixa etária avançada, que realmente não querem ter dor de cabeça e trabalhar com o mercado financeiro. Mas hoje nós temos algumas outras alternativas tão seguras quanto e que dispensam a rentabilidade da poupança.

Quais são as outras opções que podem substituir a poupança e dar a mesma segurança para o investidor?
Para os clientes mais conservadores e que preferem o mercado de renda fixa, as alternativas que mais se encaixam são os títulos pré-fixados. O governo hoje, através do Banco Central, permite a pessoas físicas e jurídicas aplicar em títulos do governo, que são as letras financeiras do tesouro. Esse tipo de investimento tem duas modalidades: eles podem ser pré-fixados ou pós-fixados. Os pré-fixados hoje, onde vivemos a queda dos juros, é um investimento muito melhor do que poupança, CDI, ou fundo DI. A poupança, quando os juros caem, deixa de ser interessante.

Além da segurança e da possibilidade de movimentar o dinheiro a qualquer momento, a poupança não tem tributação fiscal. Essas não são vantagens consideráveis?
Sim, essas características atraem as pessoas. Mas o governo já estuda medidas para que em 2010 a questão do imposto seja revertida. No futuro a poupança vai perder bastante seus atrativos.

Ainda assim, a falta de tributação da poupança não compensa a rentabilidade mais alta dos investimentos de renda fixa, que são tributáveis?
Na verdade o que acontece é que em um fundo de investimento existe um gestor contratado pela instituição financeira que vai administrar e observar situações pontuais do mercado para obter uma rentabilidade maior. Hoje a diferença é pequena, mas no mercado com juros compostos qualquer 0,05% já é alguma coisa.

E quanto uma pessoa precisa ter em dinheiro para começar a investir nesse tipo de mercado?
Para fundos de renda fixa ou títulos do governo, a partir de R$ 200 já é possível fazer aplicações. Outra possiblidade interessante são os multimercados. Neles o gestor aplica parte do valor em renda variável e parte em renda fixa. Geralmente a maior parte do investimento fica na renda fixa e algo em torno de 20% a 30% fica na renda variável (bolsa de valores, câmbio e commodities). Isso oferece segurança e também uma rentabilidade bem maior do que a poupança ou só renda fixa.

É verdade que sempre que se sai da poupança o risco de perder dinheiro aumenta?
Para isso é preciso distinguir os mercados. Para alguém conservador eu não recomendo investir 100% do patrimônio em renda variável. O melhor, hoje, é optar pelos títulos pré-fixados, que são seguros e têm o valor da taxa de juros e a data que o dinheiro vai estar disponível definidos anteriormente.

Para optar pela Bolsa de Valores, moeda estrangeira ou commodities é necessário ter muito dinheiro?
Não. Para ser investidor da Petrobrás, por exemplo, é preciso ter algo em torno de R$ 35 mensais. Se a pessoa tem um cadastro em um banco ou corretora ela pode comprar ações independentemente do valor.

Mas o risco de perder dinheiro existe mesmo assim?
Existe o paradigma de que mercado é risco. Quando se faz um investimento em uma empresa, a pessoa assume o risco de determinada empresa. Quando se compra um índice da Bolsa, aí sim o rendimento depende do índice Bovespa. E comprando uma ação de uma empresa ele tem também direitos como os dividendos, caso a empresa tenha lucro no período.

Como o senhor aconselha começar a investir em renda variável?
O ideal é usar de 20% a 25% do patrimônio livre para investimento em renda variável e deixar a maior parcela na renda fixa. Assim a pessoa consegue alavancar a rentabilidade média e não colocar em risco seu patrimônio em casos de intempéries na bolsa, como aconteceu recentemente. Hoje existem instituições que dão cursos para investir na bolsa. Pesquisar sites especializados, de bancos ou corretoras, também é uma atitude importante. Não se deve investir só porque o amigo ganhou dinheiro com isso. Para começar é melhor aplicar um valor pequeno e em empresas sólidas. E existem profissionais em bancos e corretoras para ajudar, que analisam o mercado e sugerem as melhores opções.

Para quem o senhor recomenda o dólar ou outras moedas estrangeiras?
O dólar é bom para quem pretende viajar ou tem dívidas em dólar. Mas a diferença entre dólar e real é um risco agregado tanto quanto o da Bolsa. E o risco da Bolsa é mais administrável do que o do câmbio. Não recomendo investimentos em dólar.

mockup