MERCADO EXTERNO - Faltam estratégias aos empresários do Paraná
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quinta-feira, 05 de fevereiro de 2009
Paula Costa Bonini<br>Reportagem Local 
Diante da competitividade e dinamismo do mercado, as empresas precisam lançar mão de fatores determinantes para sobreviverem. Dentre eles, a logística ocupa posição privilegiada, pois garante rapidez e otimização na exportação e importação de mercadorias. No entanto, apesar da grande importância, os problemas relacionados à logística são constantes em diversas regiões do país. No Paraná não é diferente.
Nesse contexto, Filinto Eisenbach Neto, especialista na área, consultor e professor da PUC-PR em Curitiba, faz uma avaliação da logística no Paraná, fala dos problemas enfrentados com a malha viária e aponta as vantagens do porto seco - instalado há cerca de dois meses em Londrina.
Como o senhor avalia a logística no Paraná?
A logística é uma área do conhecimento que tem por objetivo proporcionar um nível de eficiência no mercado. A maior dificuldade para se fazer logística é ter uma perspectiva estratégica, onde exista integração funcional e gestão de fluxo. As empresas do Paraná tratam a logística de forma funcional: transporte, armazenagem e expedição. Se a logística for tratada em partes e não de forma integrada ela está nos anos de 1960. Isso é muito ruim, pois se tem um custo elevado e uma perda de eficiência que o mercado não está disposto a pagar.
Então, na sua opinião, a logística no Paraná não está bem?
Algumas empresas se destacam porque tiveram acesso ao modelo de logística de classe mundial, desenvolvendo o processo de integração e gestão de fluxos. Já outras nem o básico têm. É uma falta de informação e de vontade do principal executivo.
O que é preciso para melhorar?
Adquirir conhecimento. O Brasil é um país muito fechado para relação internacional. Quando as empresas precisaram fazer integrações internacionais, desfazendo-se de atividades não essenciais, elas começaram a relacionar-se com parceiros externos. A partir daí foi necessário ter uma visão diferenciada do processo, precisando gerenciar fluxos e não a tarefa e a atividade em si. Novas técnicas e conhecimentos são fatores fundamentais para que a logística possa ser atualizada e dê a resposta que o mercado atual exige.
Não existe uma visão diferenciada e gerenciamento de fluxos no Paraná?
Não só no Paraná como no Brasil. As empresas brasileiras estão começando a se preocupar com essa perspectiva de logística devido à concorrência. Enquanto não era necessário maior produtividade para competir e atender o mercado, as empresas trabalhavam as funções. No entanto, o mercado está muito mais dinâmico e complexo. A locação dos recursos certos na hora certa para atender o mercado são conhecimentos específicos que a logística integrada vai atender.
Quais os problemas enfrentados no Estado com a malha viária?
É uma questão de infraestrutura. Temos quatro áreas que são fundamentais na logística: a parte de estoque e armazenagem, a do transporte, a de mix de produtos e a de produção. Quando a gente fala em multimodalidades de transportes, falamos no ferroviário, aéreo, rodoviário, aquaviário e marítimo. O Brasil ainda é muito carente porque a matriz de transporte privilegiada é a rodoviária quando deveria ser aquaviária e marítima. Existe uma falha de estrutura de concepção de desenvolvimento econômico no Brasil que prejudica as organizações por falta de infraestrutura.
Em 2007 o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) previu investimento de R$ 503 bilhões em logística nos próximos quatro anos. O dinheiro está sendo bem utilizado?
O PAC tem investimentos localizados em algumas áreas como os aeroportos e portos secos. A legislação evoluiu bastante para propiciar uma melhor movimentação de mercadorias tanto na exportação quanto na importação. Este dinheiro está sendo investido. Em todos os aeroportos do Brasil hoje há melhorias, mas ainda falta um estudo avançado para poder privilegiar os recursos naturais que o país oferece, para que o nosso custo seja competitivo internacionalmente. O transporte mais barato do mundo é o aquaviário e nós estamos numa matriz rodoviária. No mundo, o transporte de mercadorias acontece por diversos modais de integração e no Brasil não há legislação que permita isso devido à guerra tributária.
O Porto Seco de Londrina já trouxe algum resultado?
O Porto Seco é uma modalidade que agiliza e facilita o processo de importação e exportação de mercadorias, colaborando na velocidade de movimentação entre dois pontos. É uma estrutura importante que está fundamentada numa legislação mais ágil que facilita as operações logísticas. Por meio do Porto Seco também há possibilidade das indústrias locais terem um ponto de consolidação de carga, havendo um processo de integração natural com parceiros logísticos que podem fazer uma movimentação mais econômica e eficiente. O de Londrina é um apoio muito forte para a região, mas está muito mais ligado às indústrias extrativas de agricultura. Os maiores usuários são as cooperativas, o escoamento das safras, a própria pecuária e algumas indústrias que queiram se instalar ou fazer algum ponto de movimentação para a região do mercosul.


