São Paulo - O tema das palestras e treinamentos que a psicóloga e especialista em Recursos Humanos Maria Inês Felippe costuma dar em diversas empresas do País transformou-se no livro ''4 C's - Para Competir com Criatividade e Inovação'' (Editora Qualitymark). Com mestrado no assunto e há anos encarando platéias de diversos tamanhos, ela registrou tudo o que estudou e presenciou durante seus 22 anos de convivência direta com empregados e patrões.
''As pessoas estão mais criativas, mas ainda não usam todo potencial'', observa Maria Inês, que divulga seu trabalho no www.mariainesfelippe.com.br. No novo cenário, empresas querem tirar seus funcionários da zona de conforto e prepará-los para as constantes mudanças. Da mesma forma, investem na formação de líderes que recebam de braços abertos boas idéias, em vez de desvalorizarem novidades por se sentirem ameaçados. A criatividade resulta em economia, uma vez que gera soluções de problemas e otimização dos processos de produção, além da criação de novos produtos e serviços.
Criatividade é uma questão de sobrevivência?
No cenário atual, de constantes e rápidas mudanças econômicas e estratégicas, há muita necessidade por funcionários flexíveis, que enxerguem oportunidades de negócios, que busquem ações inovadoras e criativas. Essas qualidades são indispensáveis. E quem não se renova se afasta do contexto e dificilmente se adapta às novas exigências.
O que é ser criativo?
Todos são criativos, porém, alguns utilizam mais essa ferramenta do que outros. Existem algumas características que movem a pessoa criativa, uma delas é a curiosidade, querer sempre entender e saber mais. Ela está sempre insatisfeita, por isso, vive buscando alternativas. Como não poderia deixar de ser, é fantasiosa e vive imaginando, tendo idéias. Por ser agregadora, tem a facilidade de juntar, de conectar coisas aparentemente opostas. Vive pensando no futuro. Tem a coragem de se expor e não teme crítica. Tem automotivação, por usar a criatividade como energia pessoal, e também é motivadora, porque contagia quem está ao redor.
Se a criatividade é inerente ao ser humano, como explicar a dificuldade que alguns têm para desenvolver novas idéias?
Existem vários empecilhos. Há quem, por acomodação, prefere permanecer na zona de conforto. Outras pessoas, porém, não se acham criativas e acreditam que só tipos como Bill Gates, por exemplo, têm essa qualidade. Imaginam que criatividade é inventar algo genial, o que não é verdade: novas idéias podem ser simples. Outras são criativas, apresentam idéias, inovações, mas não são valorizadas. Ainda existem empresas e chefes que desclassificam um candidato criativo por insegurança ou por não aceitar mudanças. E o que é pior: alguém pega a idéia, assume sua autoria, sem dar crédito. Quem sofre ou já passou por isso, geralmente, tende a não mais criar. Pessoas com excesso de senso crítico têm tanto medo de errar que também bloqueiam a criatividade.
Como desenvolver a criatividade?
É fundamental acreditar na intuição, sem dar muito ouvido à lógica. Em grande parte, a criatividade é fruto de observação, tentativa, acertos e erros. Outra dica: não desista da idéia quando alguém criticá-la ou recusá-la, nem desanime diante dos erros. Também não se deve ter medo de compartilhar a idéia, pois fica mais fácil aperfeiçoar algo com ajuda.
Como se aplica a ginástica cerebral?
Existem vários exercícios. Servem para ajudar as pessoas com mais dificuldade a se soltarem e estimularem o pensamento. Uma das dicas é deixar no carro, bolsa, pasta ou cabeceira da cama papéis e canetas, e anotar as idéias que surgirem, por mais absurdas que possam parecer. Procure sempre novidades. Exemplos: mude de restaurante, trajeto, cardápio, a forma de dormir ou de se vestir, e faça cursos que fujam do cotidiano.
Como ultrapassar as resistências comuns nas empresas?
Aí entra, mais uma vez, a criatividade: descobrir uma solução para se sobrepor às dificuldades, porque dificilmente encontramos ambientes de trabalho perfeitos, propícios às novidades. É o que chamo de Comunicação Assertiva na Venda de Idéias. Percebi que não existe idéia errada, mas mal vendida e/ou mal comprada. Não adianta ter a idéia se não souber vender. Existem muitas lideranças que acreditam que as idéias precisam vir certinhas, mas, na verdade, devem ser aprimoradas.
Como vender uma idéia?
É necessário se posicionar de forma diferente. Há quem repita sempre a mesma fórmula. Por exemplo, o vendedor teve sucesso em uma venda e repete o mesmo comportamento com o novo cliente, achando que terá outro sucesso, sem levar em conta que cada situação exige estratégias diferentes.
Os líderes também não precisam estar mais abertos?
Gestores devem estimular a criatividade da sua equipe, não cerceá-la, como é comum. As lideranças não podem se sentir ameaçadas.
Como o autoconhecimento, que é sempre citado em seu livro, se relaciona com tudo isso?
Conhecer a si mesmo é um passo fundamental para que se possa criar e estabelecer relacionamentos favoráveis. Afinal, parte dos conflitos surge pela falta de autoconhecimento.

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