Parcerias com empresas multinacionais na área de tecnologia apontam uma nova vocação para Londrina. Segundo o coordenador da Plataforma Londrina de Tecnologia da Informação (Platin), Ademir Morgenstern Padilha, a cidade dá os primeiros passos para se transformar em um pólo. Em visita à FOLHA, ele falou sobre a tendência de crescimento do setor.

Como o senhor visualiza a área de tecnologia em Londrina nos próximos anos?
Londrina será um centro inovador, no qual a colaboração entre empresas e entidades significará um diferencial para geração de negócios. A cidade vive um momento muito positivo. Temos vários movimentos e ações que colaboram para isso, como o Arranjo Produtivo Local (APL) de software, o Parque Tecnológico, além de um alinhamento muito bom entre universidades e entidades como Adetec, Sebrae e Codel. Outro exemplo é a recente criação da Londrina Information Technology (Lint), que está atraindo empresas de renome mundial como IBM e SAP. O mercado começa a reconhecer que Londrina está preparada para atender essas demandas.

Londrina já pode ser considerada um pólo tecnológico?
Quem está em Londrina talvez não reconheça, mas quem vem de fora reconhece. Os APLs de Curitiba e Maringá frequentemente visitam Londrina para ver como está sendo organizado o trabalho, as ações. Para que seja reconhecido de fato, era preciso algo concreto, que é a Lint hoje, com a instalação da SAP e da IBM. O reconhecimento destas grandes empresas vem confirmar o pólo que, na minha visão, já existe. Conseguimos criar uma boa base, como a infra-estrutura do Parque Tecnológico, mas ainda são os primeiros passos. Estamos em processo de recrutamento de mão-de-obra e já temos demanda para atender em julho. Mas é claro que ainda tem muito a ser feito.

A partir do momento em que este pólo estiver consolidado, quais produtos sairão de Londrina?
Hoje, temos uma característica de exportar mão-de-obra. Em Londrina formam-se, em média, 900 profissionais por ano na área de tecnologia. Esses profissionais não tem espaço aqui, infelizmente. Atraindo estes empreendimentos para cá, passamos a exportar produtos e serviços, como sistemas para Gestão Administrativo-Financeiras (Contabilidade, Folha de Pagamento, Controles Financeiros, Estoque, entre outros). As empresas de Londrina também vêm se fortalecendo em novos nichos, como Telemedicina, TV Digital, Rastreabilidade de Veículos, além do setor de Games para PCs ou celular.

A Lint tem prazo para dar resultados concretos?
O objetivo é chegar até o final de 2008 com 800 pessoas contratadas. Temos investidores que querem resultados, assim como a IBM e a SAP têm expectativa de que vamos suprir parte da necessidade de mão-de-obra deles, para que possam captar mais projetos e mandar para Londrina. O prazo é muito curto, precisamos iniciar essa operação rápido. Tanto que estamos mandando 25 profissionais para fora do país, para treinar lá e trazer essa tecnologia. Esses profissionais voltando, já entra a fase de produção.

Existe a preocupação com projetos de inclusão digital?
Temos a preocupação e há algumas ações nesse sentido. A Adetec trabalhou com um projeto de informática nos bairros. Com verba do governo federal, treinamos mais de duas mil pessoas carentes. O Funtel também tem um projeto para trabalhar com a população de baixa renda. Por meio de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), a idéia é abrir oportunidade para jovens, que não podem fazer faculdade, de ter formação técnica de três meses e ingressar em uma empresa multinacional. A partir do momento em que ele tiver a chance de trabalhar, a gente tem certeza de que esse profissional vai ser muito fiel, agradecido, e esse agradecimento virá em forma de produtividade.

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