Dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na quinta-feira (31) apontam que o Brasil alcançou um marco histórico em seu mercado de trabalho: a taxa de desemprego caiu para 5,8% no trimestre encerrado em junho, o menor nível desde o início da série histórica da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), em 2012.

É a primeira vez que o índice fica abaixo de 6%, sinalizando uma recuperação importante, segundo especialistas, após os impactos profundos da pandemia da Covid-19, que abalou o mundo e durou de 2020 a 2023. Nos três meses até março de 2025, a taxa de desemprego estava em 7%. Até então, o menor nível havia sido de 6,1% até novembro de 2024.

Vale lembrar que a Pnad Contínua passou por uma atualização. O IBGE fez a revisão para incorporar as projeções populacionais mais recentes, publicadas pelo órgão em 2024. Essas estimativas levam em consideração o Censo Demográfico 2022 e outras fontes. Mas segundo o instituto, a atualização não provocou mudanças significativas nos resultados da pesquisa.

A boa notícia é que os dados divulgados pelo IBGE confirmam a resiliência do emprego no país, mesmo diante de um cenário macroeconômico ainda marcado por incertezas. A população ocupada chegou a 102,3 milhões, puxada principalmente por contratações no setor público, com destaque para a área de educação. Simultaneamente, o número de desempregados recuou para 6,3 milhões, representando uma queda de 17,4% em relação ao trimestre anterior.

São vários os sinais positivos, como a elevação do número de trabalhadores com carteira assinada, que atingiu 39 milhões, e o crescimento dos microempreendedores individuais (MEIs), indicando uma leve tendência à formalização. O rendimento médio do trabalhador também avançou, chegando a R$ 3.477, o maior valor já registrado pela Pnad.

Apesar do otimismo com os dados atuais, analistas alertam que parte dessa melhora é sustentada por estímulos fiscais e uma taxa de participação na força de trabalho ainda inferior aos níveis pré-pandemia. Além disso é preciso considerar fatores estruturais, como o envelhecimento da população, que também contribuem para a queda na taxa de desemprego, ao reduzir o número de pessoas ativamente buscando trabalho.

É claro que os números sinalizem progresso, mas trata-se de um indicativo de recuperação. Não devemos esquecer fragilidades que ainda precisam ser enfrentadas com responsabilidade e visão de longo prazo, entre elas políticas de estímulo ao crescimento econômico e investimentos em educação e qualificação profissional.

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