Mercado de trabalho
Os números do Cadastro Geral de Empregos (Caged), divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho, apontam para a desaceleração do mercado de trabalho. De acordo com os números, no ano passado foram criados 1,1 milhão de empregos com carteira assinada, volume 14,8% inferior em relação ao resultado do ano passado. Em 2012 foram criadas 1,3 milhão de vagas. É o pior desempenho desde 2003, muito abaixo da meta do governo, que era criar 1,4 milhão de novos postos.
O resultado está diretamente ligado ao baixo crescimento econômico do País, conforme as próprias explicações do governo. No entanto, levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que informa também o volume total de desempregados e considera a atividade formal e a informal, mostra que a taxa de desocupação no segundo trimestre do ano passado ficou em 7,4%. O percentual, que mostra o desemprego no País, ficou 0,6 ponto percentual abaixo do verificado no trimestre anterior, que registrou taxa de desocupação de 8%.
Para 2014, ano de Copa do Mundo, o governo estima a criação de 1,4 milhão de vagas, principalmente no setor de serviços. É preciso considerar quais outras alternativas o País teria para avançar na geração de empregos, além do campeonato mundial de futebol e que, aliás, já contribuiu para aumentar o saldo de novos postos por meio das obras de infraestrutura. Ainda que o governo invista na realização de obras, que se fazem urgentes, é preciso fortalecer a indústria, que não teve um bom ano. Mudanças na política, como a reforma tributária, trabalhista e previdenciária, parecem que não sairão do papel tão cedo.
Além disso, é preciso considerar o cenário internacional. Dados da Organização Internacional do Trabalho mostram que no ano passado o número de desempregados aumentou em 5 milhões em todo o mundo, crescimento de 6% com relação a 2012. Para os próximos anos, até 2018 há projeção de aumento do número de vagas menor do que o contingente que entra no mercado de trabalho. Se o Brasil é suscetível às variações da economia externa, certamente será afetado por essa projeção. É preciso cobrar investimentos do governo a fim de aquecer o mercado de trabalho.





