A pessoa não pode parar de se qualificar
Perfis do empregador e do empregado estarão mais completos


O dinamismo do mercado de trabalho resulta num paradoxo. Ao mesmo tempo que sobram vagas, há um número excessivo de desempregados. O desafio é fazer a ponte entre os empresários que precisam de mão de obra e quem quer uma colocação. O principal obstáculo para as agências de emprego é a falta de qualificação dos profissionais.

Quem está desempregado e depende do seguro-desemprego para pagar as contas logo terá ajuda tanto na busca por novas vagas quanto na requalificação. Nos próximos dias Londrina vai passar a fazer parte dos municípios ligados ao Sigae Web, um programa do Ministério do Trabalho e Emprego que visa facilitar o encontro entre trabalhadores e empresas.

Neiva de Cássia Vieira Sefrim, coordenadora Municipal do Sine (Sistema Nacional de Emprego) Londrina, comenta que o sistema vai contar os dados do município. O empregador e o trabalhador, no entato, terão acesso a informações de outros municípios, o que aumenta a chance de emprego. ''Você consegue visualizar vagas aqui e vagas no Brasil inteiro. Isso nos dá informações do mercado de trabalho no país todo'', destaca.

Como funcionará o programa do Seguro-Desemprego via web?
Qualquer município do Brasil vai poder desenvolver e implantar esse programa. Para isso é preciso ter acesso à internet. O sistema traz a integração entre as ações. Nós sabemos que enquanto as pessoas estão trabalhando não sobram recursos para estar investindo em qualificação. Às vezes a empresa não faz isso e então a pessoa não se qualifica. Se ela está desempregada, menos chances e menos acesso ela tem a cursos de qualificação e atualização. Quem está recebendo o seguro-desemprego vai ser chamado para ser qualificado.

Quem será responsável pelos cursos?
O Conselho Municipal do Emprego, Trabalho e Renda vai deliberar sobre os cursos, conforme os sindicatos trazem (as sugestões) e com as informações que a gente tem do Ministério do Trabalho também. Nós estamos fazendo parcerias para começar os cursos que já foram deliberados pelo Conselho. E também com ONGs, com Oscips, com escolas profissionalizantes e mesmo com o município.

Quem estiver trabalhando e quiser se reciclar vai ter acesso aos cursos?
Vai. A pessoa não pode parar de se qualificar. O sistema vem nos ajudar nisso, ele integra as ações e as informações. Iremos mandar convocação para todos que estiverem em nosso sistema, informando que há cursos com vagas abertas.

Quando deve começar a funcionar o novo sistema?
A previsão é que em maio já possamos dispor desse programa. Nós continuaremos com o atendimento presencial, mas vamos disponibilizar o sistema. Por meio dele, o perfil do empregador estará mais completo e o do empregado também. Isso ajuda a fazer a ligação entre o perfil e a exigência da vaga.

Outra vantagem serão os encaminhamentos simultâneos. O desempregado pode ir a cinco entrevistas no dia. Nosso objetivo final é que a pessoa esteja empregada, tendo renda e direitos trabalhistas garantidos. Esse sistema vai proporcionar isso.

O sistema irá trazer mais agilidade também, não é?
O sistema vai cruzar os dados e notificar (o trabalhador) na hora por e-mail, SMS e se ele não tiver esses dados um atendente será notificado para avisá-lo. Vamos ter que fazer um trabalho em conjunto com os telecentros para fazer a inclusão digital por bairros, já que poucas pessoas ainda utilizam a internet para esse serviço. Ela vai aprender a usar uma ferramenta e com isso não precisa sair do bairro se não existe a vaga. Ela mesma vai gerar a ficha de encaminhamento e pode fazer vários encaminhamentos para os locais que ela pretende.

Há alguma ação voltada para os jovens?
Está sendo implantado também o Pró-Jovem Trabalhador. O gestor desse programa é o Sine, com recursos do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com contrapartida do município. Vamos capacitar social e profissionalmente dois mil jovens, de 18 a 29 anos. Foi uma pesquisa do Ministério do Trabalho que detectou a dificuldade do jovem de se manter no mercado de trabalho. Nós temos uma meta de dois mil qualificandos e temos que colocar 600 no mercado formal de trabalho, senão o município devolve recursos para o MTE. Temos que trabalhar qualificação e já abrindo vagas no mercado de trabalho.

Qual é o perfil do desempregado hoje? É o jovem que busca o primeiro emprego? É a pessoa sem qualificação?
É a pessoa com baixa escolaridade, ensino médio incompleto e falta de prática com computadores. A maioria são mulheres, chefes de família, de 35 até 45 anos, que foram donas de casa e querem voltar ao mercado de trabalho.

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