MERCADO DE TRABALHO - Relacionamento é a chave do sucesso profissional
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quinta-feira, 04 de fevereiro de 2010
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Que o mercado de trabalho está cada vez mais exigente, não é novidade para ninguém. E que as escolas oferecem mais recursos que possibilitem a formação de futuros profissionais bem capacitados é cada vez mais claro. Mas até que ponto uma criança já deve se preocupar com a futura carreira? E as universidades, estão preparando os alunos a contento?
Antonio Freitas é diretor de Integração Acadêmica da Fundação Getúlio Vargas e membro do Conselho Nacional de Educação e estará em Londrina hoje para ministrar a palestra ''Ensino para Empregabilidade''. Nesta entrevista, ele adianta alguns pontos e ressalta que quem se relaciona bem com as pessoas é valorizado pelo mercado. E acrescenta que o investimento nas pessoas é essencial para evitar a evasão escolar e garantir a formação de bons profissionais.
Que tipo de profissional o mercado procura hoje?
O mercado procura uma pessoa que primeiro se relacione bem com outras pessoas. Mas tudo isso começa por algumas palavras chaves: tecnologia, globalização, conhecimento. Hoje qualquer área do conhecimento demanda que você use tecnologia. É importante que a pessoa domine as tecnologias apropriadas para a área.
Globalização significa que o que você aprender em Curitiba ou Londrina seja portável e se você resolver trabalhar em São Paulo, nos Estados Unidos ou em Buenos Aires, que você vai estar preparado para isso. É importante também que você esteja no setor de serviços. Cada vez mais, nos países desenvolvidos, o grande empregador é o setor de serviços. No Brasil isso já é mais de 60%. Qual a implicação disso? Você tem que saber lidar com pessoas. Tem que saber se comunicar. A grande vantagem do setor de serviços é que quando você for novo, você tem emprego. Quando você tiver 70 anos, se tiver boa saúde, você continua tendo emprego.
E na sociedade do conhecimento você tem que ter uma capacidade contínua de aprender. Depois, é importante dominar o mínimo de matemática, para poder conviver nesse mundo cada vez mais tecnológico. Dominar o uso da informática e uma língua estrangeira, além do português. As empresas hoje estão buscando pessoas que têm criatividade, boa comunicação interpessoal, empreendedorismo, iniciativa e capacidade de lidar com as pessoas. Aquele que sabe lidar com as pessoas é quem realmente vai liderar e dominar o mundo.
As universidades têm preparado os futuros profissionais a contento?
Lamentavelmente, não. Primeiro, tanto as universidades públicas quanto as privadas, por razões distintas - não todas, mas a grande maioria - oferecem cursos desatualizados. A atualização dos cursos é muito lenta, muito demorada, mesmo nas escolas de bom padrão. Nas públicas há muita guerra interna e as particulares querem atingir uma grande massa de alunos, cobram pouco e terminam dando um curso defasado. Elas têm que encantar o aluno para a educação, estimulá-lo.
O que precisa melhorar na educação e como fazer?
Nós vivemos uma situação muito estranha. O Brasil é a 10economia do mundo, ou seja, é mais ou menos como a França, a Itália, a Espanha, mas em educação nós somos o 88º, estamos lá na ''rabeira''. Mesmo na América Latina estamos atrás da Bolívia, da Venezuela, do Paraguai. Ou seja, nós somos muito fracos em educação.
A primeira coisa é a mudança de atitude em relação à educação. Nas escolas públicas, os pais acham quase um favor quando acham uma vaga, independentemente da qualidade. Seria absolutamente importante que houvesse uma cobrança por parte dos pais, por parte das autoridades, políticos, para que as pessoas tivessem uma educação de qualidade. Depois, tem que investir mais dinheiro. Nós investimos mal e também temos uma fiscalização ruim. Tem que haver cobrança pela melhoria. Também tem que haver maior investimento para que as escolas públicas tenham os mesmos equipamentos que as privadas. Não se concebe uma escola de qualquer nível que não tenha computação, curso de idiomas. Precisa ter uma sala de aula confortável, um horário de estudo maior.
Uma alternativa seria o ensino integral?
Exatamente. Na parte da manhã você tem aulas e a tarde você tem aplicações, estuda música, faz atividades físicas, deveres, tira dúvida com os professores. Tem que haver maior controle na educação. O MEC, por uma razão ou outra, não tem exercido um controle firme.
O investimento público na área da educação deve estar voltado necessariamente para os setores onde há maior potencial de crescimento?
Não, ele deve ser voltado principalmente para as classes mais pobres. O que acontece hoje é que você tem uma evasão de 55% no ensino médio. O aluno tem sempre a opção de simplesmente não fazer nada, ficar na internet, jogar bola. E os mais pobres não tem acesso a uma escola agradável, de qualidade. As pessoas que não tem nem o curso básico vão trabalhar onde, em um mundo cada vez mais tecnológico, mais sofisticado? O maior desafio de uma nação é você não investir em gente, porque uma pessoa faz diferença. O Bill Gates fez uma diferença enorme para o mundo.
O que a escola pode fazer para barrar a evasão escolar?
A alta evasão é um conjunto de fatores. A aula tem que ser agradável, tem que ser um lugar onde você se divirta e aprenda. Tem que investir para treinar o professor para o novo mundo, mais moderno, onde os alunos têm muitas opções e uma infinidade de carreiras. As pessoas têm que ter prazer de ir para a escola.
Quando é hora de começar a pensar no mercado de trabalho? Alguns pais escolhem o colégio de filhos pequenos pensando no futuro.
Você tem que preparar a pessoa para a vida. Nessa preparação uma parte se dá em sala de aula, mas é necessário que outra parte se dê na prática profissional. É absolutamente necessário haver um equilíbrio entre conhecimento acadêmico e conhecimento aplicado.
Ninguém estuda para ficar isolado, estuda-se para aplicar aquilo na vida prática, isso deve ocorrer desde o começo. Se você tiver desde cedo alguma experiência prática, facilita decidir qual carreira você quer no futuro. Você vai expondo (o aluno) a diversas profissões de forma quase real. Isso ajuda o aluno a quando tiver 18 anos escolher alguma coisa que vai dar prazer e onde eventualmente ele vá ter sucesso.
Serviço:Palestra ''Ensino para Empregabilidade'' será hoje, às 19h, no Auditório da Faculdade Arthur Thomas - Rua Prefeito Faria Lima, 400, Jardim Maringá. Inscrições pelo (43) 3306-7700 ou pelo e-mail [email protected]


