MERCADO DE TRABALHO - Investimento em RH é essencial para produtividade
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terça-feira, 22 de junho de 2010
Paula Costa Bonini<br>Reportagem Local 
''A organização que não investe na área tem a tendência de não ser tão produtiva e de ter um alto índice de rotatividade.'' O alerta é da psicóloga Adilséia Soriani Batista para a área de Recursos Humanos. Segundo ela, o profissional do setor evoluiu muito e hoje a atividade não se limita a questões burocráticas. ''Atualmente, é preciso estar antenado com as estratégias da empresa, estabelecer um bom nível de relacionamento com os demais membros e acompanhar as novidades'', pontua.
Paranaense de Sertanópolis, Adilséia atua há mais de duas décadas no ramo e está entre os 50 profissionais de Recursos Humanos Mais Admirados do Brasil em 2010. O prêmio foi concedido pela Gestão & RH Editora, da capital paulista, que realizou pesquisa de âmbito nacional envolvendo profissionais das mil maiores empresas brasileiras, seguindo o critério da Revista Exame e das 'Melhores Empresas para se Trabalhar', do Great Place to Work e da Você S/A.
Além disso, Adilséia Batista, que ocupou a presidência da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) por dois mandatos, recebeu o Prêmio de RH Destaque do Estado do Paraná. Nesta entrevista, ela ressalta que a sistematização do relacionamento com a empresa faz o funcionário sentir-se mais próximo e comprometido, o que tem como consequência melhores resultados.
A senhora ficou entre os 50 profissionais de Recursos Humanos mais admirados do País de 2010. A que atribui essa posição de destaque?
Tenho 25 anos de jornada profissional na área. Sempre fui uma pessoa muito dedicada, estudiosa e envolvida nos temas relacionados ao RH. Além disso, busco estimular as pessoas para o desenvolvimento e tento acompanhar as tendências do mercado. Creio que esses fatores foram grandes impulsionadores do prêmio e fizeram meu nome ficar conhecido.
O empresariado brasileiro investe o suficiente no setor de Recursos Humanos?
Há cinco anos não havia tanto investimento na área, mas hoje existe um movimento maior. Atualmente, o empresariado já se empenha no processo de desenvolvimento das pessoas e na implantação de programas e projetos. E se a empresa não contar com profissionais de Recursos Humanos, essas ações ficam bastante limitadas. Atualmente cerca de 80% das empresas já se preocupam com o setor.
A organização que não investe na área de Recursos Humanos tem a tendência de não ser tão produtiva e de ter um alto índice de rotatividade. Quando a empresa sistematiza o trato que tem com as pessoas, faz o trabalhador se sentir mais próximo e a relação que se estabelece é de comprometimento. Com isso, os resultados são melhores.
Qual é o perfil ideal do profissional do setor de RH de hoje?
O profissional de Recursos Humanos evoluiu como qualquer outra área da empresa. Atualmente, é preciso estar mais antenado com as estratégias da empresa, estabelecer um bom nível de relacionamento com os demais membros, estar envolvido em estratégias de crescimento e acompanhar as novidades.
O que os gestores de RH mais cobram dos funcionários? Como os jovens devem se preparar para disputar uma vaga no mercado de trabalho?
Primeiramente o profissional tem que ter clareza do que quer para a sua carreira. Isso já é um grande diferencial. No entanto, para entrar no meio empresarial é preciso ter algumas habilidades, como estar focado no cliente, saber trabalhar em equipe e estar voltado para resultados. Claro que as habilidades dependem da organização, pois cada empresa privilegia ações diferentes.
Hoje para conseguir uma vaga no mercado é preciso ter um bom currículo e uma boa rede de relacionamentos. A indicação, sem dúvida, facilita a inserção dos profissionais, mas o candidato tem que ter competências e apresentar um bom currículo.
Há vagas no mercado que não são ocupadas por falta de mão de obra qualificada em quantidade suficiente. Como reverter isso?
Deve ter um esforço conjunto. As universidades têm que primar pelo processo de desenvolvimento dos jovens, o governo tem que trabalhar na educação de base. Além disso, temos associações de classe que podem e devem oferecer cursos de qualificação. E as empresas podem oferecer programas de desenvolvimento com o intuito de capacitar os jovens para o mercado. Mas, infelizmente, hoje não vemos muito empenho nesse sentido. O que existem são ações isoladas.


