MERCADO DE TRABALHO - Competência é requisito primordial
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 03 de novembro de 2009
Paula Costa Bonini<br>Reportagem Local 
ENTREVISTA
Adriana Maria André
Especialista em Educação Profissional
Diante do mercado competitivo e globalizado, o profissional deve esbanjar uma gama de características positivas. Habilidades e conhecimentos específicos são primordiais. No entanto, dentre todas as qualidades, há uma que se destaca: a competência. E não é para menos. Por meio dela, a pessoa está apta a realizar suas tarefas satisfatoriamente, trazendo bons resultados à organização.
A especialista em educação profissional e mestre em administração de serviços, Adriana Maria André, afirma que atualmente as pessoas são recrutadas e selecionadas a partir do conceito de competência. Em entrevista à FOLHA, além de falar sobre a importância da competência no ambiente de trabalho, ela discute um problema enfrentado diariamente por milhares de brasileiros: o mal atendimento recebido por funcionários públicos. ''Muitas vezes essas pessoas não têm a motivação necessária e não são satisfeitas com o que fazem'', critica.
Qual a importância da competência para se inserir e se manter no mercado?
Hoje as pessoas são recrutadas e selecionadas a partir do conceito de competência. Deve-se entender o conceito como os conhecimentos, habilidades e atitudes desenvolvidas a partir da vivência. Dentro das organizações espera-se que os profissionais tenham uma entrega eficiente, ou seja, a competência se desenvolve na prática. No grupo de estudo que faço parte nós tentamos compreender, considerando as variantes que influem no cenário atual do mercado globalizado e altamente competitivo, que competências o gestor precisaria desenvolver para conseguir os resultados nas organizações.
E quais as competências necessárias para o profissional alcançar bons resultados?
As competências derivam de uma série de fatores. Cada organização tem uma missão, uma visão própria e competências essenciais que é o que a diferencia e a mantém competitiva no mercado. A partir disso a pessoa vai ter o desenvolvimento das competências humanas básicas que estão aliadas a cultura organizacional. Isso permite questionar quais as competências esperadas do profissional. Na posição de gestão algumas competências são mais significativas: visão sistêmica abrangente de longo prazo, comunicação eficaz, capacidade de desenvolver equipes e planos, ser resiliente, fazer gestão de conflitos.
Por que o funcionário deve ter um bom relacionamento interpessoal?
Uma das competências mais buscadas pelas organizações é a competência política, que consiste em saber o que, como, quando e para quem dizer. Isso nada mais é do que manter uma relação interpessoal favorável a um ambiente produtivo. Há décadas você buscava que as pessoas tivessem condição técnica de desenvolver uma atividade. Para o gestor isso representa 30% das suas necessidades e 70% representam a competência política.
O quanto o marketing pessoal pode ajudar em uma promoção?
As organizações de sucesso têm valores muito importantes e difundem esses valores aos seus colaboradores, parceiros e todos que se relacionam com a empresa. A ética, a responsabilidade social e a transparência são valores muito importantes. O marketing pessoal siginifica ser alguém que se desenvolve na empresa dentro de um caráter meritocrático. Tentar subir de cargo por outros meios que não o mérito é visto como um demérito nas organizações estruturadas.
O atendimento é um fator muito importante nas organizações públicas e privadas. No entanto, há muita reclamação do atendimento recebido em órgãos públicos, como as Unidades Básicas de Saúde (UBS). Por quê?
Falar de UBS é tratar de um ambiente extremamente peculiar. Dentro do serviço público de saúde as pessoas têm uma posição efetiva e estão lá por causa de um concurso público. Elas nem sempre podem mudar alguma coisa da estratégia do plano de ação, pois não têm autonomia para isso. Não existe possibilidade de crescimento em sua atividade profissional e não existe remuneração por resultado. Muitas vezes essas pessoas não têm a motivação necessária e não são satisfeitas com o que fazem. Às vezes elas até gostariam de dar um atendimento adequado para a população, mas não conseguem ser resolutivos por falta de recursos humanos e físicos.
Como reverter essa situação?
A gente precisa de uma reforma onde haja profissionalização dos gestores dos serviços públicos de saúde em todos os níveis. Além disso, eles precisam ser atualizados com as melhores estratégias e ferramentas de gestão para que possam levar isso aos seus funcionários.


