MERCADO DE AÇÕES - Ganha mais quem mexe menos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de março de 2008
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
No sobe e desce que rege o mercado financeiro de ações, o conhecimento é requisito básico. Quanto menos complexa a empresa, mais fácil de o investidor ou a pessoa física entender o que acontece com seu dinheiro. É o que afirma o assessor financeiro Ary Armando Perez, que, em entrevista à FOLHA, aponta vantagens de uma certa inatividade nos investimentos de renda variável. ''Historicamente, quem negocia menos tem retornos maiores'', sustenta.
O mercado financeiro é cheio de faces. Qual a atual ''cara'' desse mercado?
Acredito que seja a da busca contínua pela renda variável. Desde 2002 registra-se um aumento enorme - cerca de 40% ao ano - na busca por investimentos deste tipo. Tudo, claro, para compensar a queda a que todos vêm assistindo na taxa básica de juros (Selic).
A abertura de capital não se restringe somente às grandes companhias. Quais os filtros que o investidor deve lançar mão?
A conduta recomendada, basicamente, é baseada em quatro pilares principais. Primeiro o investidor precisa buscar qualidade na empresa que ele vai comprar ações, com a facilidade de que ele pode fazer essa compra via Bolsa de Valores. É importante, também, que o investidor iniciante entenda o negócio da companhia. A Petrobrás, por exemplo, tem uma estrutura muito complexa. Fora isso, o investidor precisa saber se está pagando um preço alto demais de mercado, fazendo uma distinção de preço e valor. A paciência também é recomendável. O interessante é o investidor manter a ação de dois a três anos em sua carteira, visando um determinado ganho que lhe seja agradável com relação ao risco que ele está disposto a correr.
Nos investimentos de renda variável, a inatividade compensa?
Sim. Existe toda uma indústria voltada ao ''giro'' e ao ganho em curto prazo. Contudo, as pessoas precisam entender que neste mercado a inatividade pode trazer um retorno maior do que uma atividade exaltada. Historicamente, quem negocia menos tem retornos maiores.
Então o investidor brasileiro ainda tem muito a aprender...
Há 36 meses, 80% dos investidores brasileiros ficam na direção contrária: compram por um preço alto e vendem por um valor baixo, pois não sabem o valor daquilo que estão comprando. Resultado: acompanham a manada que age de maneira frenética. Fazendo um paralelo com os estrangeiros - que representam 34% do volume financeiro negociado - perdemos feio: 65% desses estrangeiros fazem o movimento correto.
Investir sem entender é especular?
Sem dúvidas! Investir sem entender é a maneira mais primária de especular, porque você está fazendo uma aposta em algo que é totalmente desconhecido. Fazer as explicações e deixar claro para as pessoas é uma tarefa que toma muito tempo, de qualificação.
Temos cerca de 470 mil pessoas físicas cadastradas na Bovespa e o País tem 190 milhões de habitantes. A tendência é aumentar este número?
O potencial para aumento é de 20 milhões a 23 milhões de pessoas. É importante frisar que o Paraná aponta um grande número de pessoas que investem em renda variável, não são somente Rio e São Paulo que preenchem os quadros.
Com todo esse frenesi em torno da renda variável, qual o melhor conselho?
Jamais se deve aplicar 100% de um patrimônio em investimento em renda variável se você não tiver preparo. Sugiro 50% em renda variável e 50% em fixa. Outra dica: as expectativas de ganho futuro estão relacionadas com o que a companhia fez no passado. Investir é igual a dirigir: os ganhos batem no pára-brisa, mas você precisa sempre olhar para os retrovisores, entender o histórico da companhia.


