MERCADO DA CARNE - Diversificar é preciso
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terça-feira, 26 de agosto de 2008
Thiago Nassi<br>Reportagem Local 
Em 2005, o vírus da aftosa ressurgiu no Mato Grosso do Sul e os focos da doença resultaram num prejuízo de bilhões de reais para o Brasil. Nos últimos dias, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) anunciou ter descoberto, na Nigéria, uma nova epidemia de gripe aviária ''altamente patogênica'', similar à encontrada ano passado na Europa, na Ásia e no Oriente Médio.
Com isso, a mesma balança que trouxe o embargo à carne bovina brasileira, pendeu positivamente aos produtores de frango: atualmente, o Brasil exporta para mais de 150 países. Para o economista Luiz Gustavo Antonio de Souza - recentemente primeiro colocado no 18º Prêmio Paraná de Economia com o trabalho ''Evolução e Competitividade no Complexo Carnes Brasileiro'' -, as melhorias no cenário nacional são latentes. Contudo, cabe ao governo promover a rastreabilidade de seu boi verde e à população descobrir os sabores das carnes que fogem ao trivial.
Qual a atual realidade do Complexo Carnes Brasileiro?
Nós temos as carnes tradicionais (suínos, bovinos e frango) e as carnes especiais, como a carne de equinos. O interessante é que o brasileiro não consome carne de equinos, mas tem uma produção totalmente voltada à exportação, com destaque para o Paraná. Exportamos a carne em pedaços e os países que a consomem a industrializam, o que gera um valor agregado. Para nós é uma experiência positiva, mas estamos tentando melhorar o produto para chegar ao mercado internacional industrializado.
A exportação de carne bovina cresceu 52,78% em julho. Acredita que o Brasil vai continuar na mesma toada?
Como o Planeta está aumentando o ritmo de crescimento, especialmente a China, que está com o crescimento do PIB muito elevado, o consumo consequentemente vai aumentar. Acredito que a tendência seja uma maior demanda mundial pela carne bovina, que é um bem básico.
O Brasil vai ter capacidade para atender esse mercado?
Acredito que sim. O Brasil tem sua vastidão territorial e a competitividade já existente pode mostrar que o País pode se tornar um dos principais exportadores mundiais de carne.
Diante de todo esse frenesi em torno da crise mundial de alimentos, acredita que o preço da carne vai se manter instável?
A instabilidade vai ficar por enquanto. É uma definição complicada, porque qualquer surto ou informação que venham a ocorrer especialmente no Brasil serão um indicador para o exterior de que eles têm de parar de consumir.
Qual a solução para nos livrarmos das boatarias e especulações?
Temos que aumentar a rastreabilidade, como a União Européia faz. O Brasil tem tentado fazer o dever de casa, mas pode melhorar. Se houver confiabilidade em uma cadeia, fica mais fácil nos desvencilharmos da boataria. Ao dizer que esse boi nasceu aqui, quando chegar ao consumidor, lá fora, nossa demanda vai ser mais estável.
E como agir em relação à alta dos preços?
É hora de nós, consumidores, partimos para outros tipos de carne. Temos um padrão de consumo à mesa muito fixo - por conta de nossa cultura - e devemos tentar diversificar, pois assim não teremos tantos problemas. O consumidor interno precisa refazer suas contas.


