Mercado cego - Renzo Sansoni
Mercado cego Renzo Sansoni Fatos estranhos, contrários à boa saúde ocular do brasileiro, estão se passando dentro de muitas óticas do país; e torna-se necessário que sejam levados ao conhecimento da população, para que o cidadão não seja lesado em seus direitos, e em seu bolso. Uma mania errada, e prejudicial, de trocar e adulterar receitas oftalmológicas está tomando conta de várias óticas em todo o país, prejudicando pessoas, prejudicando profissionais da medicina; prejudicando óticas e óticos bem-intencionados; promovendo gastos desnecessários e confundindo alhos com bugalhos. Se de espertos e atrevidos, todos padecem um pouco, o que se constata, para ampla denúncia e alarde, é que algumas pessoas, dentro de óticas e sem nenhuma formação médica, estão tratando as pessoas como se médicos e especialistas fossem, e sem nenhum rubor na face. Querem porque querem receitar e vender. Não querem enfrentar o longo aprendizado da Medicina e nem entender que, assuntos de saúde ocular, requerem um aprimoramento constante por meio da especialização. Acham que podem até trocar a receita do médico por conta própria, pouco interessando a necessidade e o bolso do cliente. São charlatães atuando em ambientes refinados e tendo, como pano de fundo, toda uma parafernália eletrônica, imitando consultório médico; esnobando, junto aos leigos e desinformados, a origem importada de tantos equipamentos. Tem-se constatado enormes besteiras e fanfarronices contra o maior interessado na questão: o cliente; contra você que vai comprar seus óculos. Alguns exemplos: clientes necessitando de óculos só para perto; e, no balcão da ótica, enfiam pela goela abaixo dos consumidores, sem nenhum prurido na consciência, lentes multifocais (lentes caras e não indicadas nesta situação), atropelando e desrespeitando a receita médica. E usam dos mais estapafúrdios, para não dizer criminosos, argumentos para a venda da mercadoria, num jogo desleal e insincero para com os médicos. Chegam até a dizer que o doutor não conhece as últimas novidades em lentes para óculos: e que eles, óticos, é quem devem decidir qual a melhor lente para o usuário. Um outro caso ilustrativo: um trabalhador, com salário de R$ 800,00, casado e 2 filhos; de uma receita médica para óculos simples e barato, a ótica empurrou nele R$ 960 em 3 óculos, quando um só bastava. Nesta época, em que o próprio Ministério da Saúde está empenhado em implantar, em todo o Brasil, os medicamentos genéricos para aliviar o bolso da população, muitas óticas querem castigar o cidadão, com preços altos e abusivos. E tudo em nome da vaidade e da falta de visão social/científica destes balconistas gananciosos. O objetivo destas linhas é, principalmente, alertar toda a comunidade para ficar de olho vivo com esta turma do exercício ilegal da medicina; em algumas destas óticas já se marca até consulta com hora marcada, etc. e tal, num escandaloso abuso de função e de formação. É necessário, portanto, que as autoridades competentes tomem conhecimento de que coisas desta natureza acontecem em quase todas as cidades brasileiras, assolando e abusando de leigos. Nada mais sério e importante para o ser humano do que ser assistido e orientado por bons e competentes médicos. E óculos e lentes de contato são assuntos que competem, tão-somente, ao seu médico orientá-lo no melhor e mais seguro caminho. A parceria médico/paciente, num clima de ampla confiança/entendimento, é sempre o primeiro passo desejável para a credibilidade na saúde. É para isto que o Brasil está despontando como um dos maiores líderes mundiais em Oftalmologia. RENZO SANSONI, médico, oftalmologia, Uberlândia/MG





