Observa-se no cotidiano que a mentira é o instrumental de preferência da classe política. Sabe-se agora que os senadores Alvaro Dias e Requião estão pleiteando a ‘‘aposentadoria’’, aquela mesma que usaram para derrotar José Richa que disputava a eleição governamental com amplas possibilidades de vencê-la. Ao politizarem e massificarem a reprodução de certidões com o registro da vantagem concedida a Richa, embora com previsão legal, fizeram disso o cavalo de batalha que tirou o candidato preferencial ainda no primeiro turno.
  Como o governo seria assumido pelo vice Ari Queiroz, ficava tranquila a ampla possibilidade de vitória, já que o substituto de Alvaro Dias, o governador, estava inteiramente integrado à campanha do retorno do primeiro governo da oposição no Paraná. Alvaro, com seu velho estilo, teatralizou dizendo que seus adversários circunstanciais eram ‘‘filhos do mal’’ e se manteve no Executivo para garantir o desenvolvimento da campanha de Requião, seu candidato.
  Os consócios dessa farsa exploraram à exaustão a tal da aposentadoria de Richa como um ato nefando em termos de corrupção, de compadrio e oligarquia e deixaram de pleitear a vantagem a que tinham direito para não despertar a revolta do eleitorado que acreditou na sinceridade do propósito de denúncia, ora desmascarado com o pleito que acabam de formalizar.
  Apostaram, como fazem os políticos primários, na amnésia da multidão e por isso mesmo deixaram o tempo ir passando até encontrar o momento adequado para o pleito indenizatório. Ambos moralistas, mas com aquele tom de Catão da UDN, passaram por algum tempo, vários anos, de ‘‘sacrifício’’ e agora desnudam a farsa de que participaram ao pleitearem a aposentadoria, apesar de ambos terem um mandato, ainda que o Alvaro esteja no seu último quadriênio, enquanto o de Requião se inicia para um período de oito anos. A moralidade de ambos é tema para um Moliere pelo que tem de precioso e
ridículo.

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